quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Egolatria


O egocentrismo é algo tão comum, tão “humano” que já não percebemos quando se tornou um “deus”. Idolatramos o nosso “eu” e distorcemos a realidade em nosso volta em nome desse ídolo que precisa ser reverenciado, muitas vezes à custa dos outros.
Começamos a supor que conhecemos as motivações, pensamentos, caráter e intenções da outra pessoa. Acreditamos em nossa interpretação sobre as ações alheias e isso se torna uma bússola no relacionamento, isto é, tratamos o outro com base em nossa interpretação (nem sempre correta). Alguém demora em responder uma mensagem, então você deduz que a pessoa está chateada com você. Acontece que ela estava impossibilitada de responder na hora. Você chama alguém para sair, e se ela recusa, então você presume que ela não quer sair com você, quando existem motivos pessoais, não relacionados à sua pessoa. Interpreta uma mensagem na rede social como indireta para você e por aí vai. Como se as atitudes das pessoas estivessem sempre relacionadas à sua pessoa. Hellooo! O mundo não gira ao seu redor não!
Não importa qual é a verdade, devemos pensar o que nos leva a julgar os outros de maneira pecaminosa, muitas vezes colocando uma culpa/responsabilidade indevida. E quantas injustiças fazemos baseadas em nossas suposições?!
Os falsos pensamentos que nos levam a julgar os outros são uma forma de orgulho. Cobramos do outro, ainda que em pensamento, aquilo que eu julgo como o certo, exijo do outro uma postura exemplar, afinal eu sou assim (só que não). E meço as ações alheias segundo minha régua de conduta, como se eu mesmo tivesse uma conduta irrepreensível. Pura ilusão!
Não admitimos que o outro cometa aquele pecado que eu também cometo (oculto) e cobramos, veja só que ironia, cobramos do outro aquilo que eu mesmo faço ou tenho potencial para fazer. Afinal “nada do que é humano me é estranho” (Terêncio).
Nada que desprezamos nos outros está ausente em nós mesmos. Temos que aprender a ver as pessoas menos à luz do que fazem ou não fazem e mais à luz do que sofrem.”
Dietrich Bonhoeffer
Esquecemos que outras pessoas têm suas fraquezas, assim como temos as nossas. E por causa das fraquezas falhamos uns com os outros.
Acabamos sendo carrascos do outro e em consequencia de nós mesmos, estragamos relacionamentos promissores por causa da egolatria.
Queremos que o outro mude, mas não tomamos a iniciativa de mudar nossas posturas. Criticamos o deslize alheio, e somos condescendentes com nossa falta de empatia.
Nos consideramos superiores, afinal, quem errou foi o outro. E quando somos nós que erramos, as nossas justificativas são válidas, somente as nossas!
Desqualificamos o próximo em virtude da supervalorização própria.
Como seguir o mandamento de amar o próximo desse jeito?
A egolatria nos faz pecar contra Deus e contra o próximo.
Não podemos ser santificados enquanto nosso “eu” dominar nossa vida.
O ego nos faz prisioneiros de si mesmo.
O ego nos faz sentirmos ofendidos por qualquer coisa, isto é, é sempre o outro que erra.
E sou eu , o magnânimo que libera o perdão ao vil pecador.
Ofensa = ego ferido
O ego exige estar sempre com a razão.
O ego sente a necessidade de ser sempre o melhor, não podemos estar na média ou abaixo, o que gera uma competitividade tola. 
Enquanto tivermos como prioridade a satisfação do “eu” não poderemos cumprir o mandamento de amar ao próximo como a mim mesmo, pois se esse “amor a mim mesmo” é disfuncional, então é isso que vou refletir nos meus relacionamentos.
Se quer ter relacionamentos sadios, comece pelo seu consigo mesmo.
Se continuar inflando seu ego, ele vai te levar longe… longe das pessoas e de Deus (ainda que mantenha os rituais religiosos).
Um dos nossos piores inimigos é o Ego.
Liberte-se, esvazie-se de si.
Preencha-se de Cristo

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