sexta-feira, 22 de março de 2019

Singularidade



Não quero ser outra
Não quero... 
Ser a próxima Nancy Pearcey na teologia.
Nem fazer poesia à la Adélia Prado
Ou ser filósofa tal Hannah Arendt
Não desejo escrever romances como Jane Austen
Não quero ser outra Flannery O'Connor
Não quero ser mais uma Carolina de Jesus
Não tenho pretensão alguma de alcançar essas mulheres incríveis.
Quero ser apenas eu
Ser citada sem comparações
Ser a Márcia Pinho

Separação



Um desentendimento aqui
Uma discussão acolá
Conflitos vão
Brigas vêm
O respeito enfraquece
A admiração vai embora
A confiança é quebrada
Os alicerces caem
Um para cada lado
No começo...
Alívio
Calma e tranquilidade retornam
Depois...
Saudades
Os bons momentos invadem a mente
Alívio e saudades revezam-se.
Foi melhor assim?

Amar o desamor




Por mais que eu te ame e me esforce em agradá-lo
Não posso fazer esse amor ser recíproco.
Não podemos exigir que alguém nos ame.
Só podemos amar e nos deixar ser (ou não) amados
Estou desistindo do meu ego
Deixando você me “amar” do seu jeito
Egoísta e insensível
Sei que você nunca vai chorar por mim como chorou pela “T”
Nunca terá tanta consideração e confiança como teve em “A”
Você nunca dirá “Eu te amo” como fez com a “D”, ainda mais em público.
Você nunca irá sair do seu conforto e viajar para me ver como fez pela “L”
Já até aceitei o fato de você não querer mais me ver.
Eu ainda não consigo deixá-lo
Mas já não desejo que permaneça em minha vida
Sei que não quer fazer parte dela.
Meu coração está cansado desse desamor
Aceito, por enquanto, as migalhas que oferece.
Resignada, até que o fim definitivo seja real.
Não lutarei mais por esse amor
Sua morte é certa
Com os golpes constantes que recebe
Agoniza
Lenta e dolorosamente
Um dia
Meu coração terá sossego
Que nossa história descanse em paz
Nas poesias de um livro não lido

terça-feira, 19 de março de 2019

Eu (não) perdôo




Eu não te perdôo por todas as vezes que me usou e me descartou em seguida.
Eu não te perdôo por me fazer sentir especial para depois me desprezar.
Eu não te perdôo por ter visto a minha dor e ignorá-la.
Eu não te perdôo por ter chamado de drama as feridas da minh’alma.
Eu não te perdôo por ter me feito chorar e não me consolar.
Eu não te perdôo por ter voltado sabendo do mal que causava.
Eu não te perdôo por ter alimentado tão bem o Demônio do meio dia.
Eu não te perdôo por ter não sido honesto e transparente.
Eu não te perdôo o por ter-me feito amar alguém que não existia.
Eu não te perdôo por todas as vezes que desperdiçou meu tempo.
Eu não te perdôo por ter criado um personagem que fingia me amar.
Eu não te perdôo por ter transformado nossa relação num roteiro de suspense.
Eu não te perdôo por ter me deixado ir tão fácil, sem insistir.
Eu não te perdôo por não ter me pedido perdão.
Eu ME perdôo por ter permitido tudo isso.
Eu ME perdôo.


O Demônio do meio dia




O Demônio do meio dia não aparece somente ao meio dia
Ele vem ao meio dia e no restante do dia
O Demônio do meio dia aparece também à meia noite
O Demônio do meio dia não tem hora
Ele vem noite e dia
Dia e noite
Madrugada adentro
Às vezes Ele parece ausente
Sorrateiro
Chega
Invade meu templo
Acampa
Faz festa
Saí sem limpar a sujeira que deixou
Volta
Traz seus filhotes
Demoninhos que entoam a canção da morte:
“Ninguém se importa com você”
“As pessoas não gostam de você”
“Você não faz diferença pra eles”
“Fulano só te suporta por obrigação”
“Sicrano só fala com você por educação”
“Tá vendo! Visualizou e não respondeu, te ignorou.”
“Aquela pessoa só está te usando”
“Você não faz falta no mundo”
“Essas pessoas não fazem a menor questão da sua presença”
“Sua ausência não é notada nesse ambiente”
Monstrinhos perturbadores
Minam sua autoestima
Acabam com seu senso de valor.
O trabalho deles é te diminuir.
Fazer você se sentir um nada, um lixo.
Melhor ter a Solidão como companhia.
Ela, até que me faz bem.
Aprendendo a viver a cada dia entre
o Demônio do meio dia e a Senhora Solitude.