sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Ponto Final


 
 
 
 
 
Meus textos estão recheados de virgulas, reticências, pontos de interrogação e também exclamações,nenhum ponto final!
Manda a tradiconal gramática que um bom texto tem todas as pontuações,o meu não.
Faço questão de deixar o ponto final ausente, longe do que escrevo.
Assim, sinto-me dona da história, senhora das narrativas, só termina quando eu quero e eu não quero acabar nunca.
Agora, só de pirraça coloquei alguns, para mostrar que sei quem é o Sr.Ponto Final.
Pra quê ponto final se a própria vida não tem?
O ponto final pode acabar com o que escrevo, não quero.
Quero as reticências na poesia, na vida, no romance...
Quero meu texto com todas as pontuações
Quero minha vida sem ponto final
E ponto final...

Restituição

 
 
 
 
 
Vai passar 
Sei que vai 
Um dia desses 
um dia qualquer 
Só quero estar viva quando este dia chegar 
Meu ser craquelado
Minha alma devastada
O que vai restar?
O que vou apresentar ao Cordeiro?
Meu coração sangrando?
Onde encontrar a cura?
Já cansei de colocar band-aid em minha gangrena
Senhor, transforma meu pranto em dança!

 

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Amores-errados

 
 
Hoje acordei com saudade de quem ainda não conheci
Acordei querendo reencontrar um amor inédito,
reviver o primeiro encontro
Hoje estou tão carente que acredito em qualquer canalhice
sou até capaz de ligar para o ex
Meu ex may love, que um dia me fez chorar
e hoje quase nem lembro mais
Quem disse que o amor é cor de rosa,
nunca saltou da janela da paixão
Nem esteve no precipício da solidão
Hoje qualquer afeto é bem vindo
Um amor-vitrine me faria bem,
um love que levasse a carência para passear de coleira
Eu e minha carência na passarela dos felizes e bem amados
Se pelo menos eu fosse uma Capuleto, poderia eternizar o romance
Mas meu destino é mesmo fazer amor com as palavras,
ser amante das Letras e fazer dos amores errados... poesia.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

O Jogo da Compaixão





Vamos brincar? 
Vou falar as regras do jogo e no final o nome da brincadeira tá?
Não vale rir das defeitos dos outros, nem tirar sarro dos erros cometidos.
Também não pode apontar as falhas, nem tripudiar quando alguém enfia o pé na jaca.
Falar bem-feito, nem pensar!
O que pode: chorar com os que choram e se alegrar com os que se alegram.
Vale ficar feliz quando alguém consegue superar limites, mesmo quando você não gosta desse alguém.
Pode também ajudar a levantar quem caí.
O nome da brincadeira é compaixão.
Quanto mais você brinca, mais acumula pontos.
O legal desse jogo é que quando você ganha, todos com quem brincou ganha também.
O prêmio: mais amor.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Sou tradutora e intérprete

Sou tradutora e intérprete.
Não sei inglês, só tenho o que a americanização trouxe.
Não  sei francês, mas acho lindo quem fala.
Espanhol? Só o Antônio Bandeiras.
Latim, apenas o instrumental.
Passo milhas longe do grego, hebraico e tantos outros.
Alemão é o meu tipo preferido, olhos claros...
Sou tradutora e intérprete.
Escrever é traduzir a alma, é interpretar o coração.
Sou tradutora da vida e intérprete de emoções.
Traduzo a mim mesmo e interpreto o que o mundo me mostra.
Numa televisão mais sofisticada que a do Orwell,
vejo as atrocidades da 'humanidade' e sigo traduzindo o que meus olhos não querem enxergar.
Sem alternativas sigo interpretando o que é incompreensível.
Sou tradutora e intérprete.
Escrever é se comunicar com outros idiomas.
Quando a língua natural falha, resta papel e caneta, ou teclado e tela.
Sou tradutora e intérprete.
Mas queria ser poeta.
Entre uma linha e outra deixo-me fisgar pela polissemia.
E às vezes eu poemo.
Na esperança que.. de tanto poemar ...
Sou tradutora e intérprete, às vezes poeta.
Mas queria mesmo é ser escritora.
Sou tradutora e intérprete.



quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Paradoxos

Quando compreendi as palavras de Jesus, senti uma felicidade que nem a morte pode tirar.
Todo o meu ser sofreu transformação, essa compreensão refrescou minha alma.
Entendi que:
Quando me entrego, é que eu ganho;
Quando renuncio, eu recebo;
Quando deixo de tentar entender, é que compreendo;
Quando me humilho, sou exaltada;
Quando choro, o Consolador me traz conforto;
Quando me desespero, é que vem a paz que excede o entendimento;
Na rendição é que encontro a vitória,
Quando decido morrer, ganho vida...
...Vida além da vida.

Cristo

 
 
 
 
Ele nasceu
Ele cresceu
Ele não esqueceu
porque nasceu

Ele fez Justiça
Ele fez História
Ele... sobre a Morte teve vitória

Ele está em mim
eu estou Nele
Ele me deu certeza da maior riqueza

Ele soprou minha vocação
Ele não me deixou no mundo da distração
Ele fez tudo por paixão e comPaixão

(In) Discursividade

                                                

                                               Meu professor de análise do discurso
                                                         É o perfeito pleonasmo
                                                        Abundante em redundância
Só fala em Fiorin
Esquece-se do Bakthin
Sua ideologia não faz minha tipologia
 

O curso do seu discurso
É pura figura de linguagem
 
Abusa da hipérbole
É cheio de metáforas
E excelente nas onomatopeias
 

Mas do que vou lembrar mesmo
É de seu léxico todo estético
Que faz sua poética...ética.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Outubro espinhoso

 
A vida é cheia de altos e baixos, com isso todos concordam e em certo grau conformam-se. Mas tem sempre um certo período mais nefasto, que deixa marcas. Este ano o período eleito foi o mês de outubro. Período que passei por algumas turbulências. Sou do tipo de pessoa holística, quando uma área da vida não está bem, influencia todas as outras. E quando está tudo um caos, já não sei mais onde começou; se foi por causa de A que o B azedou, ou se foi o C que fez o B ficar ruim. E quando não sei onde está o X da questão, eu me volto para dentro de mim, procurando as respostas, tentando encontrar o ponto nevrálgico.
Sem conseguir resposta, me calo, também não dou respostas. Afinal como responder aquilo que nem mesmo eu sei?
Viro ostra, tenho ataques de autismo, crio um mundo só meu. Nesse universo particular só entra Deus e aqueles que já o visitaram antes.
Questiono os fatos, a ação dos outros, minhas reações e o crucial: e agora?
Com a consciência de que tudo é passageiro, fico ansiosa para chegar o depois. Para saber o que virá, como agir e finalmente qual será o resultado de minhas ações. E quando chega o momento esperado, tenho previsíveis surpresas e também decepções previsíveis.
Surpresas e decepções comigo e com os outros.
Assim como a vida é feita de altos e baixos, é também de surpresas e decepções.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

O que habita meu coração


Quando somos apaixonados ou amamos algo/alguém é impossível esconder.
Revelamos os sentimentos no olhar, no modo como falamos do objeto amado, entre outros comportamos explícitos, mesmo que involuntariamente.
Já quem tem um sentimento morno, não consegue ter o mesmo brilho no olhar do que o sujeito apaixonado, é perceptível em sua conduta.
A pessoa fala coisas do gênero: ele/ela me faz bem, temos muito em comum, temos uma história juntos, faço quando dá e por aí vai.
Mas aquele que ama, nem precisa dizer, porém quando se manifesta verbalmente diz coisas do tipo: eu não conseguiria viver sem ela/ele, é tudo pra mim, não imagino minha vida sem “isso”.
Essas palavras servem tanto para relacionamentos humanos, como também para profissão, vocação,espiritualidade, missão, hobby e tudo o que habita nosso coração.
Há os que reservam um cantinho no coração e outros que ocupam todo o espaço com algo/alguém.
A pergunta é: o que ocupa integralmente o seu coração?

Pseudo profissionais

Quando eu tinha 18 anos, trabalhava em uma empresa que tinha sala de jogos,o meu predileto era o pingue-pongue, jogava todos os dias, se tornou um vício, de tanto praticar fiquei razoavelmente boa nesse jogo, ainda tinha jogadores melhores, mas eu, como uma das poucas mulheres, me destacava.
Havia também um rapaz que gostava muito de pingue-pongue nas horas vagas, porém não jogava bem. Os outros funcionários tiravam sarro e ele sempre respondia: chegou quem sabe tudo de pingue-pongue. E a galera respondia: sabe tudo; onde começou, quem são os melhores jogadores, sabe tudo, menos jogar!
Uso essa história para falar de algo que tenho visto em alguns setores, em que muitos que dizem ser especialistas, quando na verdade conhecem mais a teoria do que a prática.
Centenas de profissionais por todo o Brasil enchem suas agendas para falar de algo que conhecem nada ou bem pouco.
Teólogos de formação com uma espiritualidade deficiente lecionando e sendo pastores, pseudo pedagogos escrevem livros sobre educação sem ter uma experiência sólida em sala de aula, palestras de atendimento ao cliente com sujeitos que não sabem o que é serem humilhados no dia a dia por clientes arrogantes.
Claro que eu considero as exceções, no entanto eles não são o alvo desse texto.
As pessoas das quais eu me refiro estão em diversas esferas do campo profissional, normalmente se apresentam com pompas, podemos vê-los na televisão, em outdoors, eventos, conferências; são excelentes no quesito publicidade.
E os inocentes caem na armadilha da mídia em torno deles, pagam para assistir palestras, compram livros, e saem divulgando seus “trabalhos”.
Tudo isso para ouvir de uns pretensos profissionais o que podemos saber por experiência própria. Com um pouco de atenção e uma pitada de reflexão podemos chegar as mesmas conclusões a que esses “gurus” pretendem nos ensinar.
Vamos colocar a cachola para trabalhar minha gente!

terça-feira, 9 de outubro de 2012

O elogio

 
 
 
 
 
 
O elogio é um doce vicio; inebriante, tóxico, que aos poucos corrói o senso crítico.
Esperando por um elogio lá vai o ego correndo para os braços da admiração alheia.
O discernimento começa a ficar doente e deixa-se dominar pelas expectativas de outros.
O mendigo de elogio pauta sua conduta em princípios que não são os seus. Está no corredor da morte.
Assim que os elogios cessam e as criticas aparecem, seu mundo entra em ruínas.
A tal da auto estima vai para a UTI.
Nesse momento os valores que antes estavam esquecidos, reaparecem.
Sua visão glaucômica, começa a perceber que o alicerce era frágil.
Sua pessoalidade é revalorizada e o elogio volta aos seu devido lugar:
És muito bem vindo, mas é tão somente um hóspede!

domingo, 7 de outubro de 2012

Meu sonho






Conversando um dia desses com uma amiga falei a respeito de estar feliz por conseguir voltar à faculdade depois de tanto tempo, vou fazer o curso pelo qual tenho paixão, Letras. Essa amiga ficou contente por mim e disse que realizar um sonho é muito bom. No momento não prestei muito atenção ao que foi dito, mas depois refleti e percebi que apesar de gostar muito de estudar e amar as palavras esse curso não é o meu sonho e sim um meio para realizá-lo.

Meu sonho é fazer a diferença, deixar de ter uma vida medíocre, parar de viver só para mim e viver como se fosse o meu último dia, por isso dar o devido valor as coisas: efêmero ao que é efêmero / eterno ao que é eterno.

O que realmente é importante? Será que é preciso chegar ao leito de morte para saber? Creio que não, podemos vivenciar isso hoje, a cada dia em nossa vida.

Pense: o que você está plantando no coração das pessoas, o que você vai deixar de herança no mundo? Essas questões podem determinar se terá ou não uma vida bem vivida, uma vida em abundância como diz o Mestre, uma vida com propósitos baseados em valores que não envelhecem.

Um diploma que não sirva os propósitos Dele de nada serve; assim como uma casa, um carro, uma carreira e tudo o mais que existe nesta vida, pois são coisas passageiras; apenas visando ao que é

 (I)imortal conseguiremos ter uma vida com significado.

Ainda não sei como posso usar os talentos que Deus me deu para fazer a diferença, sei que agora começo aprender à aprender, e o primeiro passo foi dado, através de um insight que tive há algum tempo quando estava no sítio de um amigo, vi uma águia planando, fiquei um longo período observando e recordando as palavras de Charles Swindoll no livro “Como viver acima da mediocridade”.

A águia voava alto sem bater as asas, foi neste momento que tive uma “Eureca” e decidi fazer um planejamento de como aprender a ser uma águia, como voar alto. Então mudei pequenas coisas da minha rotina que fazem toda a diferença, uma delas é usar com mais sabedoria um dos poucos recursos não renováveis que nos foi dado pelo Eterno: o tempo.

Nesse momento recordo-me de Beto Guedes, “Tempo: quero viver mais duzentos anos, quero não ferir meu semelhante, nem por isso quero me ferir...”.


Então diante desse insigth recorro a Tiago 1:5

“ Se algum de vocês tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá livremente, de boa vontade; e lhe será concedida.”


Senhor: os meus sonhos são Seus, os Teus planos são meus.

sábado, 6 de outubro de 2012

A palavra

A palavra é uma ferramenta que pode tanto edificar quanto destruir.
Conheço histórias em que palavras acabaram com vidas e conheço também histórias em que as palavras salvaram vidas.
Para mim, a palavra é sagrada.
Por esse e outros motivos que eu decidi há muito tempo usar a palavra somente para o bem, nunca utilizar a palavra para ferir.
Ás vezes é muito difícil manter esse princípio.
Existem circunstâncias que estou tentada a falar poucas e boas para as pessoas, tenho escolhido me calar, às vezes a tentação é tão grande que eu preciso me retirar para continuar seguindo em que acredito. Prefiro ser chamada de covarde, prefiro até mesmo continuar calada enquanto ouço impropérios, antes  ser eu a ferida do que eu a agressora.
O fardo de tentar ser fiel a esse princípio é ter o coração pesado, cheio de palavras rudes não ditas, mas sei que não preciso carregar esse peso no coração, pois a Palavra me sustenta no meu princípio.
Escrevi como  uma forma de incentivar as pessoas a fazerem bom uso da palavra. Conforme a Palavra:
 


Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que seja boa para a necessária edificação, a fim de que ministre graça aos que a ouvem. (Efésios 4:29)
 

A morte e a vida estão no poder da língua... (Provérbios 18:21)
 

 Porque, pelas tuas palavras, serás justificado e, pelas tuas palavras, serás condenado. (Mateus 12:37)



sexta-feira, 5 de outubro de 2012

O Poeta

 
 
 
 
 
 
O poeta é um ser em versos
Escreve por não caber em si
Sua alma transborda em rimas
Enquanto tiver vida há poesia
A fonte de inspiração é a própria existência
Seus amigos, seus pecados, suas alegrias,
transmutam-se em alegorias e metáforas
Já não sabe o que é viver sem palavras
Sua respiração confunde-se com as letras
O chão que pisa e o céu que glorifica
são espelhos do seu léxico
O mundo lhe parece verborrágico
então ele cria e recria,
inventa maneiras das palavras renascerem
Traz roupas novas para velhas expressões
porque as existentes já não lhe suprem mais
Seu vocabulário é vasto, mais vasto é o seu universo.
Um universo em multiversos.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

KAHLO

Frida, mulher de fibra.
Artista que nasceu da tragédia,
trajetória surreal
Sua vida, sua tela.
Sua dor, suas cores.
Pincelou com lágrimas, o sofrimento.

Meu modelo, minha inspiração.
A superação que eu sempre quis,
de um grito que nunca imaginamos!

Nem eu, nem ela
pensou ser quebrada.
Fomos torcidas na carne e no espirito.
Vimos a face da morte,
que nos disse: agora não!
Ordenou que voltássemos
e cumprisse o Chamado.



Descobrimos na Morte uma aliada.
Para falar da vida,
para poetizar a Vida.



Porque nem a morte, nem a tragédia, nem o presente, nem o porvir, nem a angústia, nem a perseguição, nem fome, nem perigo nem qualquer coisa ou criatura pode nos separar do que fomos chamados para ser e para fazer.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Rap 23

 
 
 
Pô mano Ele é o Cara! Tá sempre comigo.
Dá bons conselhos, me deixa sussa.
Na dúvida Ele fala pra mim fazer a coisa certa, aí eu falo que fiz por causa Dele.
Mesmo quando tô encrencado, Ele não sai correndo e me deixa tranquilão, é nóis!
Ele me dá mó moral na frentes dos malucos, e enche a minha bola.
Camarada pá todas as horas, eu colo lá na casa Dele e sei que será sempre meu Brother.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Como curar um coração partido:






 Um coração partido requer band-aid, uma certa dose de álcool e muitos lenços.
Um coração partido precisa deletar o ser amado, excluir do twitter, bloquear no facebook, apagar todos os e-mails.
Um coração partido precisa de muitos porquês e vários amigos, para tentar entender o que aconteceu.
A dor de um coração partido dura o tempo necessário para compreender que aquela pessoa, definitivamente não faz parte da sua vida.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Lequar




Você diz que é feliz
Mas não entende
que essa sua vida pequeno burguesa
não o levará a nada
Você se esquece do amanhã
Ah meu amor!
O novo sempre vem
E o que você vai fazer
Quando o futuro chegar?
Continuará com ideias medíocres?
Continuará passeando pela humanidade?
O que pensa da vida?
um carro,
uma casa,
um diploma
e um casamento
É tudo o que quer ?
Ah meu amor!
Há tantas coisas belas
que eu gostaria de lhe mostrar
Mas seus olhos estão vendados
Seus olhos estão voltados
para a redoma que construiu a sua volta
E nesse mundo não cabe mais nada
Você o preencheu com estupidez
Se pelo menos eu pudesse libertá-lo!
Não se esqueça
o novo sempre vem
e o que vai fazer
quando o a futuro chegar?
...
E agora?!
Não há mais tempo
Não há mais lugar para velhas novidades
O amanhã chegou.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Aos Semeadores

 
Nos últimos anos eu tenho conhecido pessoas com um jeito diferente de ser e de crer, com um novo jeito de dar a Boa Notícia.
Após conhecer vários exemplares que eu chamo de “novos crentes” (na contra mão de décadas passadas) e ler o que eles escrevem, creio que há um movimento nada silencioso na internet.
Comecei a perambular pela rede há uns 5 anos e me deparei com o crente-diferente, aquele que está mais para filósofo do que evangélico, são os “ovelhas pensantes”.
O movimento ao qual me refiro são blogs com conteúdos reflexivos acerca do movimento religioso atual com muita cultura embutida e alguns com entretenimento. Estes
conteúdos invadem as redes sociais, incluindo frases de escritores e pensamentos de filósofos clássicos, tudo recheado com perspicácia e sensatez.
O que vejo circulando pela rede é fruto de uma espiritualidade sadia, de pessoas que vivenciam sua fé fora dos bancos de igrejas (sal fora do saleiro), são seres cumprindo a Missão, atingindo um número de pessoas que estão fora do circuito  culto-igreja.
Tenho orgulho de ter essas pessoas no meu círculo de relacionamento, mesmo que virtual, pois eles me enriquecem com seus questionamentos e sagacidade. Eu os admiro por serem ovelhas pensantes e influenciarem muitos outros a pensarem também, incluindo eu.
Algumas dessas pessoas não se enquadram em rótulos como evangélico, cristão, agnóstico ou sei lá mais o quê; eles extrapolam os rótulos.
O que sei é que são pessoas que pensam fora da caixa, com alto capital intelectual capaz de atingir as massas no ciberespaço e fora dele e ainda levar a Palavra para  uma imensidão de pessoas de forma nada tradicional.
Obrigada e parabéns aos semeadores da Palavra.

“Vós sois o sal da terra...Vós sois o luz do mundo...”

domingo, 22 de julho de 2012

Igreja (não) é...




Igreja não é clube...

...não é lugar para encontrar os amigos,

marcar a próxima balada ou rever os caras do futebol.

 

Igreja não é agência matrimonial..

...não é lugar para "conhecer gente nova".

 

Igreja não é SPA...

...não é lugar para se desestressar 

 

Estudo bíblico não é terapia de grupo onde cada um pode contar seus "causos".

 

Igreja não é consultório...

...não é lugar para irmos quando bate as crises existenciais.

 

 

E pastor não é analista,

que nos ouve quando o coração está em pedaços.

 

Igreja também pode ser tudo isso, mas não é seu Propósito.

 

Igreja = Corpo de Cristo

 

E a função do Corpo é seguir o Cabeça.

 

"...o maior pecado de todos; fazer a coisa certa pelo motivo errado."

 (T.S.Elliot)



segunda-feira, 16 de julho de 2012

Casa, vida, ateliê



Na sala, os relacionamentos
No quarto, meu Eu
No porão, os pecados
Em todo canto uma parte de mim.

É na cozinha que misturo tudo
Eu preparo meus poemas sem fazer sala aos amigos
ingredientes postos à mesa:
pensamentos, sentimentos e ideias
Vou até o armário da Língua e vejo potes de palavras e mais potes de expressões
Escolho aleatoriamente
verbos, advérbios
substantivos e adjetivos.

Ah, e nunca pode faltar figuras de linguagem
meu tempero predileto!
Depois fico a paquerá-los
Tento seguir o conselho do gauche:
conviver com os poemas antes de escrevê-los”
Mas a Caneta imperiosa não quer descansar
põe-se a escrever sobre o papel repleto de rascunhos meus
e antes que eu perceba
uma frase se formou
incentivando-me a dar continuidade
a Caneta vai pincelando , pedindo meu acabamento
eu, que sou serva da Escrita, obedeço.

Saio do quarto para escrever
minha mente é meu ateliê
onde vou tecendo palavras
pintando emoções
esculpindo sonhos
para resultar em poesia
e em cada uma deixo uma parte de mim.


A literatura é um planeta em orbita das palavras.”



O Tempo e a vida



                                               Tempo, tempo, tempo
És co-autor da minha biografia
Infância, adolescência, juventude
Em cada etapa foste esquecido
E a vida foi passando
Seu valor foi resgatado
Essência encontrada
Dar ao Tempo seu devido tempo
Isto é viver
Viver o mistério
E a vida o que é que é?
E a vida o que é que quer?
Vida mansa na infância
Vida vadia na adolescência
Vida de gado na juventude
E na maturidade
a vida é pensar no tempo...
Tempo vivido
Tempo presente
Tempo que há de vir
O que será que será?
A vida traz perguntas
O Tempo traz respostas.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Ainda sou Eu


Ando por aí querendo encontrar
Algo que eu perdi
E já não sei se posso
Ou se quero encontrar
Há uma Dor em mim
Que ora diz: Vai!
Ora diz: Fica!
Ela me morde
Me abocanha
Engole-me a cada dia
Devolve-me a cada dia
Traz alguém que já não sou Eu
Que não sei quem sou
Eu, que sou alguém, que a Dor tragou, que mastigou
E mesmo assim
Eu, ainda Sou.



Alma fraturada





Eu caí...
Caí.
Escrevo para esquecer
Para libertar os fantasmas
Os demônios estão ganhando Habeas Corpus
Meu ser abriga muitas prisões
Que pesam meu coração
Quando eles saem para tomar banho de sol, vejo um espelho
Narciso mostra uma alma fraturada
Não consigo juntar os pedaços
Os fragmentos não podem ser colados
O cobertor foi pequeno para tanto frio
De súbito e sem licença as lágrimas visitam-me
Uma âncora aporta no mar
Quero chegar ao outro continente
Mas de cadeiras de rodas não dá.

A vida da gente



A vida da gente é coisa maluca
É coisa que não se entende, nem se compreende
A vida da gente dá voltas e também reviravoltas
Um dia a gente gosta
Outro dia a gente odeia
A vida da gente é o que é
Hoje eu serei feliz
Amanhã eu sofri
A vida da gente é assim
Nem dá pra conjugar
A vida da gente é mais do mesmo
É rotina, é surpresa
É a fama do indigente
É metáfora, é antítese
A vida da gente é assim
É poesia sem rima.


sexta-feira, 29 de junho de 2012

Brazil


Quem é que dorme de pé?

Quem é que anda sobre as águas?

Quem é que chuta o ar?

Somos nós,

Brasileiros da melhor estirpe

Aqueles do país “verde”

Da Carmen Miranda

Os que pensaram inventar o avião

E não alçou vôo a lugar algum

Não são eles os reis do mambo?

Da bandeira branca e azul?

Ah, não, já sei...

São os que fumam charutos.

Pobres de nós, entre latinos- americanos

Nada se distingue

Ao menos o atleta do século

Futebol e carnaval... O que nos restam aos estrangeiros

Ó Pátria amada, só tu sabes o nosso valor

Pois minha terra tem Jobim,

A mesma onde Machado viveu.

E a minha Tarsila, ainda

É melhor que o seu Van Gogh.

A Velha e mãe

Minha mãe e a Velha foram minhas grandes companheiras na infância.
Minha mãe me incentivou a ler,
A Velha foi meu anti-exemplo.
Minha mãe regou minha vocação,
A Velha de tão encrenqueira me ensinou a virtude da polidez.
Minha mãe era muito ocupada, trabalhava fora e deixava a Velha tomando conta de mim.
A Velha era muito estressada; berrava, xingava e as vezes batia também.
Mas minha mãe confiava na Velha.
Minha mãe era uma ótima dona de casa; limpava e cozinhava muito bem.
E a Velha, Ah, ela era uma velha assanhada, vivia trocando de namorado.
Foi da Velha na verdade que recebi o maior numero de lições.
Com a Velha aprendi o valor do silêncio, da reflexão, o solilóquio tornou-se hábito.
Respeito e justiça foram conceitos que a Velha me transmitiu.
Minha mãe não fazia a menor idéia das coisas que a Velha me ensinava.
De tudo que aprendi com a Velha, creio que a mais significativa foi a não-violência.
A minha mãe e a Velha não conviveram o suficiente para trocar experiências,
Lamentavelmente.
Só eu que ficava com as duas o tempo todo.
E agora já não sei de quem herdei a ética, já que nenhuma das duas a possui.
De uma eu sinto orgulho, da outra compaixão.