terça-feira, 18 de abril de 2017

Homem forte X Homem covarde



Homens: mulheres de verdade gostam de homens fortes.
Porque de covardes, o mundo está cheio.
Forte não significa ser um campeão nos pesos pesados.
Homem forte é aquele que assume seus atos e consequências.
O covarde terceiriza responsabilidades.  
Homem forte é aquele que batalha por seus objetivos.
O covarde espera as oportunidades baterem a porta.  
Homem forte é aquele que se controla diante de situações tensas.
O covarde dá um de "machão" resolvendo as coisas com xingamentos e socos.
Homem forte é aquele que ajuda sua família.
O covarde se "encosta" na família.  
Homem forte é aquele que segura "a onda" quando a mulher diz "não".
O covarde insiste até conseguir e depois "caí fora".
Homem forte é aquele que trata TODAS as mulheres com dignidade.
O covarde separa as mulheres em "essas merecem” / "essas não merecem".
Homem forte é aquele que não se aproveita da fraqueza alheia.
O covarde vive à espera de alguém para fazer de trouxa.  
Homem forte é aquele que encara as conversas/situações difíceis, sejam quais forem.
O covarde foge até de uma simples D.R.
Homem forte é aquele que deixa sempre tudo transparente nas relações.
O covarde deixa subentendido para depois dizer que "não é bem assim".
Homem forte é aquele que consegue dar um fora sem ser grosseiro/mal educado.
O covarde deixa no "vácuo", visualiza e não responde, some etc.
Covardes? Não obrigada.  
Homem forte  é o que uma mulher de verdade quer, precisa e merece.

Ser... Simplesmente eu



Não me diga o que fazer
Não me diga o que sentir
Não faça pouco caso do meu estilo
Não, por favor, não faça isso!
Ainda quero continuar te amando
Mas preciso da sua aceitação
Não desdenhe das minhas prioridades
Não deprecie meus talentos
Não critique o que eu amo
Por favor, não faça isso!
Não diga que preciso ser diferente do que sou
Entenda, as mudanças vem...
Não as imponha, nem acelere.
Quero estar em sua companhia
E ser quem eu sou.

Simplesmente eu.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Somos amigos



Torcemos por times diferentes
Apoiamos candidatos de partidos opostos
Somos amigos
Nossa fé é bem divergente
Nossas ideologias são distintas
Somos amigos
Até na geografia estamos distantes
Defendemos causas opostas
Somos amigos
Somos amigos e isso é o que realmente importa.
Todas as nossas diferenças um dia passarão
O amor fraterno é para sempre.


segunda-feira, 20 de março de 2017

Lewis: O mais relutante dos convertidos


Clive Staples Lewis, mais conhecido como C.S.Lewis (1898-1963) foi um professor universitário, teólogo anglicano, poeta e escritor britânico, nascido na Irlanda do Norte. Destacou-se pelo trabalho acadêmico sobre literatura medieval e pela apologética cristã que desenvolveu através de várias obras e palestras. É igualmente conhecido por ser o autor da famosa série de livros infanto-juvenis As Crônicas  de Nárnia”.
Seus livros já venderam mais de cem milhões de exemplares em todo o mundo, incluindo clássicos como “Cristianismo puro e simples” e “Cartas de um diabo a seu aprendiz”. Contudo, C.S.Lewis nem sempre foi um gigante da fé cristã. Este livro revela um aspecto particular de sua vida, seu período de ateísmo, a jornada pessoal, de ateu convicto a um dos mais influentes escritores cristãos de nosso tempo.
 Ao abandonar o ateísmo, Lewis se tornou um destemido e bem-sucedido mensageiro da fé, principalmente no meio acadêmico e literário. Foi altamente respeitado no campo da literatura em toda a Europa, tanto como professor quanto como escritor. Em Oxford conheceu vários escritores famosos, como J.R.R. Tolkien (autor de “O Senhor dos Anéis”, de quem viria a se tornar grande amigo).
Encontramos em seus livros de ficção muitas metáforas e alegorias referentes ao cristianismo, misturado a mitos nórdicos. Seus últimos anos de vida foram retratados no filme norte americano “Shadowlands” (Terra de Sombras), protagonizado por Anthony Hopkins.
Em sua famosa obra “Cristianismo puro e simples”, Lewis explica os fundamentos do cristianismo. Eu entendi o que significa ser cristão a partir dessa obra. Foi por meio desse livro que pude compreender perfeitamente o cristianismo porque partiu justamente de alguém que também não entendia, por isso a considero fundamental. Lewis faz o cristianismo parecer a coisa mais lógica do mundo em seus argumentos.
 Rejeitou qualquer crença para depois se tornar um dos autores cristãos mais influentes. Quem poderia ser melhor defensor da fé cristã do que aquele que a rejeitou?

 O mais relutante dos convertidos foi “Surpreendido pela Alegria” titulo de sua autobiografia, em que descreve explicitamente seu encontro com Deus. 

Cristianismo puro e simples


“Cristianismo Puro e Simples” é a maior aula sobre cristianismo que tive o prazer de receber. O livro analisa a essência do Cristianismo de forma profunda e didática. O acadêmico Lewis sintetiza de forma objetiva o universo dos cristãos, uma obra prima!  Pessoas dentro e fora do Cristianismo têm dificuldade de entender o que significa ser cristão.
Desde seu princípio, o Cristianismo pregou a metanoia, isto é, a mudança de mente sobre tudo o que há nesse mundo. A ênfase de Cristo foi restaurar a humanidade, e grande parte do seu discurso diz respeito ao sentido da vida.
A fé não exclui a presença da dúvida nem do questionamento sobre a realidade das coisas, não podemos compreender 100% do universo, como já dizia meu amigo Shakespeare: “Há mais mistérios entre o céu e a terra do que imagina nossa vã filosofia.”
A mensagem da fé cristã é simples, mas não simplista. O mundo é complexo, e a fé se aplica a toda a sua complexidade. Esse intelectual e ateu convertido nos diz de forma clara e racional sobre essas complexidades e os alicerces do cristianismo. 
Se você é cristão, você precisa ler esse livro.
Se você é apenas simpatizante do Cristianismo, você precisa ler esse livro.
Se você não sabe se é ou se quer ser cristão, você precisa ler esse livro.
Se você é um crítico do Cristianismo, você precisa ler esse livro.

Nunca é demais lembrar que você precisa ler esse livro para entender o que significa ser cristão. Qualquer pessoa que queira debater o Cristianismo ou falar sobre os cristãos, seja para concordar com eles ou para criticá-los deve ler esse livro.

Confissões de Agostinho


Agostinho de Hipona conhecido como Santo Agostinho era um jovem como qualquer outro jovem de sua época, vivia uma vida hedonista, e até se converter ao cristianismo, Agostinho se interessou por diversas filosofias e religiões. Aos 32 anos se converteu ao Cristianismo. Escritas dez anos após sua conversão, as Confissões são, ainda hoje, modelo de narração autobiográfica. Uma autobiografia recheada de citações meditadas das Escrituras e de reflexões filosóficas revela a alma inquieta de Agostinho. Ele tinha uma busca sincera e intensa de encontrar a verdade definitiva, absoluta, tinha uma imensa sede de saber. As Confissões revelam o pensamento de um homem que antes tinha devotado sua vida aos prazeres e agora revela a profundidade dos problemas da existência humana, mostra um coração corrompido e principalmente arrependido, um ser humano a procura de Deus. O próprio título indica o propósito da obra, confessar seus erros, pecados e a necessidade de uma vida submetida ao Senhor. Quando li essa obra, já convertida, me identifiquei em algumas coisas, pois me converti já na fase adulta como ele, tive uma visão hedonista da vida, e então tal como o santo vivia em busca da Verdade, enfim reconheci que minha vida pertencia ao Cristo ressurreto. Uma pessoa que se declara cristã não pode deixar de ler esse livro, essencial. 

 "O que sei, Senhor, sem sombra de dúvida, é que te amo. Feriste meu coração com tua Palavra, e te amei.[...] Tarde Te amei [...] Tu me chamaste, gritastes por mim, e venceste minha surdez. [...] O homem, partícula de Tua criação, deseja louvar-Te. [...] Porque nos fizeste pra Ti e nosso coração está inquieto enquanto não descansar em Ti."


Em busca de Sentido


Em Busca de Sentido é um dos melhores livros que já li, escrito por Viktor Emil Frankl, nascido em Viena, passou por uma das experiências mais terríveis que o ser humano já experimentou: viveu nos campos nazistas.
O livro retrata suas experiências como um detento dos campos de concentração e descreve seu método psicoterapêutico de como encontrar uma razão para viver.  Apesar do horror vivido, foi grande nas três dimensões em que se pode medir um homem: a inteligência, a coragem, o amor ao próximo. Mas foi maior ainda naquela dimensão que só Deus pode medir: na fidelidade ao sentido da existência, à missão do ser humano sobre a Terra.  Homem de ciência, neurologista e psiquiatra, não foi o estudo que lhe revelou esse sentido. Foi essa terrível experiência do campo de concentração. Milhões passaram por essa experiência, mas Frankl não saiu dela carregado de rancor e amargura. Saiu do inferno levando consigo a mais bela mensagem de esperança.  Uma mensagem que se baseia na decisão pessoal: Frankl entrou no campo firmemente determinado a conservar a integridade da sua alma, a não deixar que seu espírito fosse abatido pelos seus carrascos, conservou o autodomínio e a sanidade pois tinha um forte senso de dever, de missão, de obrigação.  O segredo dessa força diante da privação da dignidade humana, era ter um sentido para a vida, suportar o sofrimento só era possível porque sabia que tinha uma missão a cumprir.  Frankl tinha três razões para viver: sua fé, sua vocação e a esperança de reencontrar a esposa. Ali onde tantos perderam tudo, Frankl reconquistou não somente a vida, mas algo maior que a vida. Após a libertação, reencontrou também a esposa e a profissão, como diretor do Hospital Policlínico de Viena.  Ele registra uma das experiências interiores que o levaram à descoberta do sentido da vida:  

 "Um pensamento me transpassou: pela primeira vez em minha vida enxerguei a verdade tal como fora cantada por tantos poetas, proclamada como verdade derradeira por tantos pensadores. A verdade de que o amor é o derradeiro e mais alto objetivo a que o homem pode aspirar. Então captei o sentido do maior segredo que a poesia humana e o pensamento humano têm a transmitir: a salvação do homem é através do amor e no amor. […] Pela primeira vez em minha vida, eu era capaz de compreender as palavras: 'Os anjos estão imersos na perpétua contemplação de uma glória infinita'."


Das reflexões de Frankl sobre a experiência do absurdo da falta de sentido da vida, nasceu um dos mais impressionantes sistemas de terapia criados: a logoterapia.
Frankl dizia: "O homem pode suportar tudo, menos a falta de sentido."
O sentido da vida simplesmente existe: trata-se apenas de encontrá-lo.

Limites: Quando dizer SIM, Quando dizer NÃO


Esse é um dos problemas mais sérios que enfrentamos em nossos dias. Muitas pessoas lutam contra uma enorme confusão a respeito de estabelecer limites. Diante da ausência de limites, fazem perguntas como:
 - Será que consigo estabelecer limites sem deixar de ser amável?
- E se alguém se sentir incomodado/magoado com meus limites?
- Não estou sendo egoísta? No mundo físico, é fácil enxergar os limites. Grades, placas, muros, paredes, cercas etc. No mundo espiritual, os limites são igualmente reais, porém mais difíceis de serem vistos.  Os limites nos definem. Saber do que sou dono, onde começa e onde termina meu território me traz liberdade diante das escolhas e suas consequências. Impor limites não é egoísmo, é resguardar sua identidade, sua pessoalidade, aquilo que o diferencia de outros.  Não impor limites nos torna prisioneiros da vontade alheia, vulneráveis aos controladores/manipuladores.

Teologia Básica: Filosofia


O Cristianismo é uma constante vivência de um compromisso fiel com a mensagem do evangelho [...] Que tipo de fé cristã temos praticado hoje em dia? Um cristianismo que não enfrenta os conflitos existenciais, desprovido de reflexão e da busca pela verdade não pode ser o verdadeiro cristianismo.  Para aqueles que acreditam na singularidade de Deus, a tendência de conquistar o aplauso da modernidade representa a maior de todas as tentações. A sociologia e a psicologia já mostraram que todos aqueles que começam a viver em outras culturas que não a sua sofrem uma das mais fortes pressões que se pode experimentar: a pressão de estar fora dela. O mesmo acontece com aqueles que vivem uma cultura diferente da cultura dominante. Viver culturalmente “fora” é como viver no exílio, é o ponto mais difícil da realização social. Por isso, não são poucos, mas muitos os que abrem mão de suas convicções simplesmente para serem aceitos, isto é, para não ficarem de “fora”. Hoje, aquele que afirma a dependência de Deus para o conhecimento da realidade se vê diante de inúmeros desafios, pois está fora dos ditames da modernidade.   
Aqueles que amam a Deus sobre todas as coisas e que o buscam no mais profundo do ser vivem atualmente em uma Babilônia. É claro que não estamos falando agora da mesma Babilônia de Nabucodonosor. Estamos falando da nossa Babilônia, o mundo moderno em que vivemos. Pedro já nos alertou dizendo que aqui, neste mundo, somos estrangeiros e peregrinos (1 Pe 2.11); Paulo também afirmou algo semelhante, quando disse que a nossa pátria é celeste e não terrestre ( Fp 3.20). Diante do testemunho desses homens, a quem mais precisaríamos ouvir para acreditarmos que somos estrangeiros em terra estranha? Ora, o próprio Cristo já nos disse que não somos desse mundo. Mas, se não somos daqui, então, o que nós estamos fazendo aqui? Não seria melhor voltar os nossos olhos para a nossa pátria celeste e marchar em direção a ela? Jesus provavelmente nos diria: “Não me peçam para que eu os tire do mundo, mas, sim, que os proteja do mal. Vocês não são do mundo, como eu também não sou. Eu santifiquei vocês na verdade, mas assim como Deus me enviou ao mundo, eu também os envio em favor dos que não me conhecem, para que por meio de vocês eles me conheçam e sejam santificados pela verdade" (paráfrase de Jo 17.15-19).

[...] Não podemos nos esquecer de que estrangeiros somos nós e não eles.
E acima de tudo, não devemos nunca esquecer que a nossa fé não é provada fora do mundo, mas sim no mundo em que vivemos, este mundo moderno que representa um grande desafio para o cristianismo
. (Páginas 131/132)


sábado, 18 de março de 2017

Solo Sagrado






Como você tem tocado a vida das pessoas?
O coração humano é solo sagrado, terra que Deus escolheu habitar, mesmo que muitos O neguem. Quem não sabe que a alma é terra santa, acaba objetivando o outro.
Usa as pessoas de diversos modos, para algum objetivo egoísta, para alimentar sua vaidade, entre outras coisas.
Brinca com os sentimentos alheios, só se relaciona com aqueles que inflam seu ego, com os que concordam, rejeita quem pensa diferente, se relaciona conforme o critério custo/beneficio.
Se o outro não me traz benefícios logo é descartado. Algumas vezes de forma cruel, com palavras que ferem ou com desprezo que fere tanto quanto. Pisar na dignidade do outro é macular solo sagrado.
Ao “pisar” em terra santa tire as sandálias dos pés (seus conceitos e pré conceitos). Para conhecer o “estrangeiro” é necessário que eu saia do meu país (das minhas vivências) e esteja disposto não só a fazer turismo (relação superficial) no outro, mas conhecer sua história, seus sonhos, suas frustrações.
É assim que tocamos o outro da forma como deve ser: santa.
Quando vejo o outro como o outro é e não como um meio para atingir um objetivo, alimentar meu ego, meus apetites; a relação é sacralizada.

quinta-feira, 9 de março de 2017

Thelema


Conheço uma mulher em Cristo que foi arrebatada ao planeta “Sociedade Alternativa”. Se foi no corpo ou fora do corpo, não sei; Deus o sabe. 
Era um lugar sem autoridades, o Homem era seu próprio deus. Cada um fazia o que bem queria, e cada um, fazia o que era correto aos seus próprios olhos, todos pareciam pôr em primeiro lugar seus próprios interesses.
Os habitantes gritavam: “Faz o que tu queres, Há de ser tudo da Lei”.
Trocaram a verdade pela mentira, aboliram o Absoluto. Tudo era relativo e subjetivo, construíram verdades em cima das suas vontades.
Eles seguiam sua Verdadeira Vontade, não existia certo e errado, não existia pode ou não pode, só o “desejo de seus corações”.
A lascívia era encorajada, vícios eram virtudes, parece que na Sociedade Alternativa o Homem alcançou um completo domínio sobre si mesmo. São seres livres para fazer tudo o que desejam. A Natureza venceu!
Não vi nenhum lago de fogo e enxofre, apenas seres entregues às suas paixões.
Ouvia cantos por toda parte: “Viva! Viva! Viva a Sociedade Alternativa!”.
Via homens, mulheres e andróginos todos juntos, eles diziam:

                         “O importante é ser feliz”.


sábado, 18 de fevereiro de 2017

Não sou uma referência


Pessoas que mal me conhecem podem achar que pelo fato de ser cristã, devo ser um exemplo de moralidade, quanto engano!
Estou em constante transformação, buscando ser alguém melhor que ontem.
Ser cristã não me faz uma “santinha”, e é justamente por ser cristã que reconheço minhas limitações e fraquezas.
Foi Jesus quem me mostrou o “mal que habita em mim” e quem de fato eu deveria ser.
♬♮♬♪♫  “Nos deram um Espelho e vimos um mundo doente” ♬♮♬♪♫
Diante do Espelho eu enxerguei minha imundície
Diante do Justo vi minha injustiça
Diante do Sagrado soube o quanto era profana
Diante do Belo enxerguei minha fealdade
Diante da Verdade minhas mentiras foram expostas,
Diante da Vida reconheci que estava morta.
Foi então que comecei nO Caminho e ganhei Vida.
Vida essa que é cheia de batalhas. Luto diariamente contra meus desejos egoístas e humanos. Eu sei que enquanto viver estarei numa guerra, às vezes o desânimo vem, mas tenho plena consciência de que a única maneira de viver é essa, lutando contra o pecado. Pois uma vez conhecendo Ele, é impossível se conformar com quem somos.
As cobranças são muitas, externas e internas; não sei quais são maiores.
O meu esforço em tentar praticar boas ações e lapidar meu caráter é tão somente em retribuição a vida que recebi de Cristo e honrar o nome Dele, afinal carrego o “título” de cristã.
É uma super-responsabilidade, quando eu faço coisas ruins não é o meu nome que vai para a lama, é o Dele. Não quero ser vergonha para Aquele que tanto me amou/ama e se deu por mim.
Tento fazer as coisas que O agradam, mas nem sempre consigo, minha natureza pede coisas contrárias ao que Jesus quer.
Não estou escrevendo isso, para ser bajulada, ao contrário. Ser referência é um peso que não sou capaz de carregar, não quero que ninguém se espelhe em mim. Vou decepcionar e sei que posso ser esmagada pelas expectativas alheias. É um fardo pesado demais corresponder ao modelo de pessoa “certinha”, “santinha” “crente” e toda essa imagem de perfeição que as pessoas tem dos cristãos.
O fato de me expor em redes sociais me torna um alvo fácil tanto para as cobranças quanto para ser uma referência de moralidade. Não sou e não quero ser referência, sei que não posso ter êxito nessa empreitada.
A única coisa que eu posso dizer para alguém que quer uma referência é: olhe para Cristo. Ele sim, é o modelo que devemos ser/seguir.
Eu não, sou uma pecadora em processo de santificação, esse processo só terá fim com a minha morte.
Resumindo sou uma “santa pecadora”, dependente da Misericórdia.
E apenas quer ser vista, lembrada como alguém que lutava, só isso.

sábado, 21 de janeiro de 2017

Despersonalização


Após um grave acidente sofri um autoexílio, fiquei ausente de mim.
Uma forte sensação de não me pertencer se instaurou desde os primeiros dias. Minha mente esqueceu quem eu era. Mesmo após a recuperação física, vivia no automático; trabalhava, estudava, me relacionava, mas era como se não fosse eu que estivesse ali, estava assistindo a minha própria vida. Não conseguia falar sobre isso com ninguém, Como falar de algo que eu não conseguia nomear, identificar?
Durante certo tempo tentei descrever a sensação de ter perdido a mim mesmo. Eu que gosto tanto de palavras fiz um esforço para que alguma coubesse em minha Ausência. Esmiucei o dicionário, acabei com o estoque de adjetivos para tentar qualificar meus sentimentos, nenhum vocábulo foi suficiente para descrever meu estado, de uma condição que me fez estranha de mim mesmo, uma ausência desesperadora do meu eu.
Como se tudo que estivesse acontecendo fosse com outra pessoa e eu estava apenas assistindo. Eu tinha sido arrancada da minha vida, da minha história. Eu era uma espectadora/observadora da minha própria vida, fora da realidade. Era como uma sonâmbula diariamente, mas não apresentava mudanças significativas, por isso a despersonalização passou sem ser notada por todos que me rodeavam.

♪ ♫ ♩ ♫     Restitui, eu quero de volta o que é meu    ♪ ♫ ♩ ♫
  ♫ ♩ ♫  ♪   Sara-me e põe teu azeite em minha dor     ♫ ♩ ♫  ♪

Ciente do meu estado, durante um ano fiz uma pasta para anotar minha vida, como se fosse uma agenda com acontecimentos pessoais e do mundo. Escrevi na primeira página: “O ano que não existi”, e lá coloquei as coisas significativas que me aconteciam e também noticias do mundo. Eu tinha a sensação de não lembrar das coisas, pois eu não me apropriava dos acontecimentos. Tinha consciência que estava vivendo algo surreal e queria ter lembranças quando voltasse a si.
Ainda não sabia o que estava de fato acontecendo, mas sabia que era efeito do trauma do acidente. Sem saber que era uma doença, considerei como temporário, que voltaria ao normal, não procurei tratamento, nem médico nenhum.
Permaneci nesse estado durante um ano e meio, a cura veio de forma gradual, sem tratamentos, e um dia percebi que essa ausência de mim e da minha realidade havia se dissipado. Milagre? Não sei, mas voltei a ser eu mesmo, voltei para minha vida.
Após 4 anos, em um tratamento médico, relatando tudo o que vivi desde o acidente, recebi o diagnóstico: síndrome de despersonalização/desrealização.
Apesar de já curada, fui procurar informações, descobri que se encaixava exatamente na minha experiência. Como nunca tinha ouvido falar nisso? Simples, a gente só se interessa por algo quando faz parte da nossa experiência de vida.
Li relatos de pessoas com a doença e soube de filmes que tratavam do assunto. Apesar de pouco popular, essa doença já atingiu muitas pessoas.
Resolvi contar minha experiência para torná-la mais conhecida, quem sabe assim as pessoas possam identificar e lidar com ela de uma forma melhor. 
O meu caso não foi grave (foi consequência do estresse pós-traumático), li relatos de pessoas que convivem com a despersonalização durante muitos anos. Felizmente fui curada e superei complemente a doença.
Deixo abaixo algumas informações básicas:

Síndrome de despersonalização ou desrealização

Nas áreas da psiquiatria e da psicologia, a despersonalização (CID-9/10) é entendida como uma desordem dissociativa, caracterizada por experiências de sentimentos de irrealidade, de ruptura com a personalidade, processos amnésicos e apatia. Pode ser um sintoma de outras desordens como transtorno bipolar, transtorno de personalidade borderline, depressão, esquizofrenia, estresse pós-traumático e ataques de pânico. A despersonalização pode ainda surgir com o consumo de drogas, como Cannabis ou Ecstasy; mas há outras causas: esta pode desenvolver-se devido a uma exposição prolongada a estresse, mudanças repentinas no contexto pessoal, laboral ou social, entre outros fatores. A despersonalização encontra-se intimamente relacionada com a ansiedade. Enquanto desordem isolada, é desencadeada pela vivência de uma situação traumática, como maus tratos (de natureza física ou psicológica), acidentes, desastres. Esta pode ainda despoletar-se no indivíduo se este atravessar um conflito interno insuportável: a mente passa por um processo inconsciente de dissociação - separa (dissocia) conhecimento, informações ou sentimentos incompatíveis ou inaceitáveis oriundos do pensamento (realidade) consciente. Foi descrita pela primeira vez pelo psiquiatra francês Ludovic Dugas.
De acordo com a última edição da DSM-IV (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) a despersonalização surge como uma desordem dissociativa: As características essenciais do Transtorno de Despersonalização consistem de episódios persistentes ou recorrentes de despersonalização, caracterizados por um sentimento de distanciamento ou estranhamento de si próprio. O indivíduo pode sentir-se como um autômato ou como se estivesse em um sonho ou em um filme. Pode haver uma sensação de ser um observador externo dos próprios processos mentais, do próprio corpo ou de partes do próprio corpo. (Fonte: Wikipédia)

Escrevi o texto abaixo antes de conhecer a doença:
https://marciapinho.blogspot.com.br/2013/10/exilio.html

domingo, 15 de janeiro de 2017

Free


Você é livre?
Muitas vezes parece que a gaiola está trancada e estamos presos, mas a gaiola está aberta e mesmo assim continuamos presos. Muitos presos continuam na gaiola por não saber que estão presos ou por estarem condicionados e não sabem como ir para outro lugar, como agir de outro modo.
Aqui apenas um exemplo de algo que prende as pessoas, o cigarro. Mas no lugar do cigarro poderia estar um símbolo fálico, uma ideologia, uma figura, enfim, podemos estar presos a diversas coisas.
Qualquer coisa a qual temos dificuldade em dizer não é uma prisão.
Coisas que nos fazem mal ou farão, um relacionamento, um modo de viver, uma visão de mundo que nos mantém estagnados.
São muitas as prisões da vida e nem sempre estamos conscientes delas.
Nem sempre as prisões se apresentam em forma de vícios como conhecemos (cigarro, bebida, sexo etc), às vezes as prisões estão tão bem disfarçadas que nem nos damos conta.
Você sabe qual é a sua prisão, o que te mantém preso ao mesmo lugar?
Ou você se considera livre?

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Egolatria


O egocentrismo é algo tão comum, tão “humano” que já não percebemos quando se tornou um “deus”. Idolatramos o nosso “eu” e distorcemos a realidade em nosso volta em nome desse ídolo que precisa ser reverenciado, muitas vezes à custa dos outros.
Começamos a supor que conhecemos as motivações, pensamentos, caráter e intenções da outra pessoa. Acreditamos em nossa interpretação sobre as ações alheias e isso se torna uma bússola no relacionamento, isto é, tratamos o outro com base em nossa interpretação (nem sempre correta). Alguém demora em responder uma mensagem, então você deduz que a pessoa está chateada com você. Acontece que ela estava impossibilitada de responder na hora. Você chama alguém para sair, e se ela recusa, então você presume que ela não quer sair com você, quando existem motivos pessoais, não relacionados à sua pessoa. Interpreta uma mensagem na rede social como indireta para você e por aí vai. Como se as atitudes das pessoas estivessem sempre relacionadas à sua pessoa. Hellooo! O mundo não gira ao seu redor não!
Não importa qual é a verdade, devemos pensar o que nos leva a julgar os outros de maneira pecaminosa, muitas vezes colocando uma culpa/responsabilidade indevida. E quantas injustiças fazemos baseadas em nossas suposições?!
Os falsos pensamentos que nos levam a julgar os outros são uma forma de orgulho. Cobramos do outro, ainda que em pensamento, aquilo que eu julgo como o certo, exijo do outro uma postura exemplar, afinal eu sou assim (só que não). E meço as ações alheias segundo minha régua de conduta, como se eu mesmo tivesse uma conduta irrepreensível. Pura ilusão!
Não admitimos que o outro cometa aquele pecado que eu também cometo (oculto) e cobramos, veja só que ironia, cobramos do outro aquilo que eu mesmo faço ou tenho potencial para fazer. Afinal “nada do que é humano me é estranho” (Terêncio).
Nada que desprezamos nos outros está ausente em nós mesmos. Temos que aprender a ver as pessoas menos à luz do que fazem ou não fazem e mais à luz do que sofrem.”
Dietrich Bonhoeffer
Esquecemos que outras pessoas têm suas fraquezas, assim como temos as nossas. E por causa das fraquezas falhamos uns com os outros.
Acabamos sendo carrascos do outro e em consequencia de nós mesmos, estragamos relacionamentos promissores por causa da egolatria.
Queremos que o outro mude, mas não tomamos a iniciativa de mudar nossas posturas. Criticamos o deslize alheio, e somos condescendentes com nossa falta de empatia.
Nos consideramos superiores, afinal, quem errou foi o outro. E quando somos nós que erramos, as nossas justificativas são válidas, somente as nossas!
Desqualificamos o próximo em virtude da supervalorização própria.
Como seguir o mandamento de amar o próximo desse jeito?
A egolatria nos faz pecar contra Deus e contra o próximo.
Não podemos ser santificados enquanto nosso “eu” dominar nossa vida.
O ego nos faz prisioneiros de si mesmo.
O ego nos faz sentirmos ofendidos por qualquer coisa, isto é, é sempre o outro que erra.
E sou eu , o magnânimo que libera o perdão ao vil pecador.
Ofensa = ego ferido
O ego exige estar sempre com a razão.
O ego sente a necessidade de ser sempre o melhor, não podemos estar na média ou abaixo, o que gera uma competitividade tola. 
Enquanto tivermos como prioridade a satisfação do “eu” não poderemos cumprir o mandamento de amar ao próximo como a mim mesmo, pois se esse “amor a mim mesmo” é disfuncional, então é isso que vou refletir nos meus relacionamentos.
Se quer ter relacionamentos sadios, comece pelo seu consigo mesmo.
Se continuar inflando seu ego, ele vai te levar longe… longe das pessoas e de Deus (ainda que mantenha os rituais religiosos).
Um dos nossos piores inimigos é o Ego.
Liberte-se, esvazie-se de si.
Preencha-se de Cristo