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domingo, 2 de outubro de 2022

A sétima profecia e o aborto

 



Ouvi falar do filme “A sétima profecia” (1988) na adolescência, alguém assistiu e me contou. Fiquei super interessada, após a sinopse conto o motivo.

 

Sinopse: Ao redor do mundo estão aparecendo sinais do fim dos tempos, assim como está no Apocalipse, que parecem estar vindo com o surgimento de um misterioso andarilho. Padre Lucci (Peter Friedman), um emissário do Vaticano, tem a missão de investigar as ocorrências e as considera como fatos normais. Entretanto Abby Quinn (Demi Moore), uma jovem americana, tem razão para temer que elas são reais, já que o desenrolar dos eventos pode significar desgraça para o filho dela, que ainda está para nascer. Abby está determinada a fazer qualquer coisa para evitar o fim do mundo, inclusive dar sua vida, pois este foi o desafio que lhe fez o andarilho.

 

Após ouvir que uma mãe daria a vida por seu filho fiquei impressionada, sempre achei algo sobrenatural alguém dar a sua vida por outra pessoa. Demorou um tempo para que conseguisse assistir ao filme, tive que esperar uma reprise na tv, já que naquela época não existia internet como hoje. Quando assisti, fui ler a passagem bíblica que o filme usa. É claro que a intenção do filme hollywoodiano não era pregar a Palavra, sempre soube. É uma obra de ficção que como tantas outras, usa passagens bíblicas em seu roteiro. Vamos ler a sétima profecia bíblica:

 

Então apareceu no céu um grande sinal: era uma mulher vestida de Sol, com os pés pousados sobre a Lua e com uma coroa formada por doze estrelas na cabeça. Estava grávida, e já com as dores de parto, e gritava na ânsia de dar à luz.

E apareceu um outro sinal em que um dragão vermelho se apresentava com sete cabeças e dez chifres; e em cada cabeça tinha uma coroa.  Com a cauda arrastou para trás de si um terço das estrelas do céu, lançando-as sobre a Terra. E colocou-se na frente da mulher que ia dar à luz, pronto para devorar a criança logo que nascesse.

Ela teve, com efeito, um filho, o qual mais tarde haveria de governar todas as nações com uma vara de ferro. E o menino foi logo arrebatado para Deus, para junto do seu trono. Quanto à mulher, fugiu para o deserto, onde Deus lhe preparou um lugar, cuidando dela durante 1260 dias.

E deu-se uma guerra no céu. Miguel e os anjos sob a sua responsabilidade lutaram contra o dragão e contra o seu exército de anjos.  O dragão perdeu a batalha e foi expulso do céu.  Ele é a antiga serpente, conhecida com o nome de Diabo, ou Satanás, aquele que engana o mundo inteiro. E foi assim lançado para a Terra, mais os seus demónios.

Ouvi depois uma voz clamando através do céu: “Aconteceu enfim! A salvação final, o poder e o reino de Deus, assim como a autoridade de Cristo manifestaram-se. O acusador dos nossos irmãos foi atirado do céu para a Terra, esse que os acusava dia e noite. Mas eles venceram-no pelo sangue do Cordeiro, e com o poder do seu testemunho; pois puseram de lado o amor às suas próprias vidas a ponto de morrerem. (Ap 12: 1-11)

 

Não sou especialista em escatologia, e mesmo sem compreender na época o que significava, a imagem que essa passagem trouxe me impactou tanto quanto o filme. Fiquei imaginando como seria o mundo se mais pessoas estivessem dispostas a salvar vidas, e ainda com a sua própria vida. Recentemente assisti novamente ao filme e ainda sinto o impacto emocional de ver uma mãe disposta a dar sua vida para salvar o filho, mesmo sendo ficção.

O Talmud diz “Quem salva uma vida, salva o mundo inteiro”, há passagens bíblicas que falam sobre dar a sua vida por alguém, aliás o exemplo é do próprio Cristo.

Nisto conhecemos o que é o amor: Jesus Cristo deu a sua vida por nós, e devemos dar a nossa vida por nossos irmãos.” (1 Jo 3:16)

“Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos. (Jo 15:13)

“A morte de cada homem diminui-me, porque eu faço parte da humanidade; eis porque nunca pergunto por quem dobram os sinos: é por mim. Nenhum homem é uma ilha, completo em si próprio; cada ser humano é uma parte do continente, uma parte de um todo. John Donne

Tal como o poeta inglês sinto-me diminuída em minha humanidade quando morre um semelhante. No entanto não sei se seria capaz de gesto tão nobre como dar a vida por alguém. Sempre considerei uma atitude de extrema grandeza dar a vida por outra pessoa.  Um sacrifício do qual Cristo nos deixou como exemplo, mas poucos seguem. Atualmente o que mais vemos é o contrário, pessoas matando, tirando a vida de outras, mães que matam seus bebês antes de nascer, médicos que juraram lutar pela vida ser agentes da morte!

Vejo no aborto, o dragão, o Inimigo que vem para ceifar vidas; pois Ele é a anti vida, a Morte.

O cardeal Robert Sarah afirmou: “Abortar é a maior tragédia do nosso tempo, e a causa pró-vida faz parte da batalha final entre Deus e satanás”.

A batalha final nesse mundo está entre a vida e a morte de bebês!


domingo, 11 de março de 2018

Reparação





“Atonement” é uma obra do inglês Ian McEwan.
Em 2007 foi ao cinema e chegou ao Brasil com o título “Desejo e Reparação”. 
Atonement = reparação ou expiação.

Reparação: s.f. 1. Ato ou efeito de reparar; restauração, conserto. 2. Satisfação dada a alguém por uma falta, uma ofensa; retratação.
Expiação: s.f. 1. Purificação de crimes ou faltas cometidas. 2. Meio usado para expiar (-se); penitência, castigo, cumprimento de pena; sofrimento compensatório de culpa.

Ao longo da história, as pessoas foram obrigadas a tomar decisões difíceis, e até trágicas – sobre como reagir aos sofrimentos pelos quais passaram nas mãos de outros – ou sofrimentos que elas próprias causaram aos outros. O impacto em alguns casos perdura por toda a vida. Alguns erros são irreparáveis.
Muitas e muitas vezes nos deparamos com o dilema sobre a forma de responder à crueldade e ao sofrimento que impregnam a nossa vida.

Como responder ao mal?
Devemos fazer as pazes ou partir para uma retaliação?
É possível encarar aqueles que nos feriram?
Temos condições de conviver com nossos algozes?
E quanto ao mal que causamos aos outros?
Como conviver com a culpa e remorso pelo mal que causamos?
É possível desfazer ou compensar esse mal?
 
Há duas formas de lidar com o mal. A primeira implica no desejo de vingança e represálias ou uma suposta indiferença (não existe indiferença ao mal). A segunda, compaixão e fortaleza. A primeira nos enterra em ressentimentos e na amargura. O sentimento de injustiça nos corrói.
O desejo de vingança é instintivo, queremos ir à forra, ainda que de maneira sutil e elegante (?), isto é, sem sujar as mãos, sem parecer que estamos nos vingando. Há muitas maneiras de vingança, algumas até se parecem com bondade, outras se confundem com indiferença. Já disse: não existe indiferença ao mal.
Muitas vezes o impulso de reconciliação nos sobrevém, mas como lidar com a mágoa guardada?  Para expulsar a mágoa, exercer o perdão e a reparação será preciso uma força descomunal. Ir contra a natureza de pagar mal com o mal, humilhar-se perante o agressor/vítima. O ato de misericórdia não é para fracos, são para os pobres de espíritos, para os quebrantados. O orgulho, o ego ferido são empecilhos para a reparação e a reconciliação. A compaixão é o antídoto, pode quebrar os corações mais duros, pode dissolver culpas e mágoas nutridas por longo período.
Sem o perdão e a reparação os ciclos de violência (mesmo velados) continuam.
Num mundo que enfrenta ciclos de violência contínuos, quase ninguém se dispõe a pedir perdão, e muito menos conceder perdão. Se recusar a perdoar ou fazer reparação é menosprezar a Misericórdia. Perder a justiça reparativa que cura e liberta do cativeiro do ressentimento.

“Pois Deus estava em Cristo reconciliando consigo mesmo o mundo, não levando em conta as transgressões dos homens, e nos confiou a mensagem da reconciliação.” 2 Coríntios 5:19.

O ato de perdoar e fazer reparação são o reconhecimento de nossa humanidade e da humanidade do outro. Perdoar é nobre; ser perdoado pode ser um alívio, perdoar genuinamente é sobre humano em certos casos.  E a reparação é irmã do perdão e uma via de mão dupla que pode ser exercida tanto pelo agressor quanto pela vitima. Perdão e reparação são os dois lados da mesma moeda. É preciso reparar os erros, as pessoas feridas precisam ser restituídas em sua dignidade, pois o pecado rouba a dignidade humana.
A reparação faz parte do processo de cura. Como agressores devemos demonstrar ao ferido o desejo de compensação, demonstrar
a profundidade de nosso desejo de sermos perdoados. Como vítimas, devemos demonstrar o desejo de perdoar; é o processo de cura e restauração.
A reparação tem o propósito de aliviar a culpa dos agressores e o ressentimento das vítimas, é o ato que faz correções, repara os danos, propõe a restituição, procura fazer uma compensação, limpa a consciência do transgressor, alivia o ódio da vítima e faz justiça com um sacrifício (em alguns casos) correspondente ao dano que foi feito.
Sem nos dar a oportunidade de reparar o mal que causamos/sofremos, por maior que tenha sido, ficamos presos ao passado; sem condições de viver plenamente o momento presente. Enquanto as feridas do pecado não forem tratadas, a dor continuará tanto em você quanto no outro.

“Uma pessoa é, acima de tudo, uma coisa materialfácil de danificar e difícil de reparar.” Ian McEwan



terça-feira, 1 de agosto de 2017

Mulher Maravilha, princesa e guerreira


Breve resumo


O filme conta a história da princesa Diana, semideusa que nasceu e cresceu na ilha de Themyscira, chamada de Ilha-Paraíso. Diana ainda pequena é a única criança numa ilha habitada exclusivamente por mulheres amazonas e guerreiras. Ela pensa que foi criada a partir do barro (já ouvi isso em algum lugar antes), não sabe que é filha de Zeus e Hipólita. A jovem princesa se depara com um homem pela primeira vez ao salvar o piloto americano Steve Trevor. Estamos na Primeira Guerra Mundial e por uma questão de princípios, a jovem deixa a ilha para tentar acabar com a guerra.
No mundo dos homens, ela se depara com a dualidade da natureza humana. E na tentativa de ajudar a humanidade, Diana amadurece como guerreira e descobre sua identidade enquanto segue a guerra.

Minha opinião

 

Diante de tantos filmes de super-heróis feitos nos últimos anos, Mulher-Maravilha é mais que uma adaptação de HQ para a telona, era o filme que faltava. A cultura pop há tempos o aguardava, a última mulher maravilha que tivemos foi há 40 anos. A nova geração, que não teve o privilégio de ver Linda Carter na telinha, agora vê Gal Gadot na telona. O filme tem uma boa história, ação, humor e romance. São tantas cenas que eu gostaria de esmiuçar, mas o espaço é curto. 

Cenas que merecem destaque


A pequena Diana é uma fofura, aparece desde a infância decidida, forte e doce.
A cena em que Diana vê um bebê retrata a feminilidade, o interesse natural da mulher por bebês (sim, eu acredito nisso).
A cena no barco em que ela diz “Eu sou o homem que pode”, retrata o lado forte e decidido da princesa.

Diana, a mulher


Diana é mulher com inúmeras habilidades. Além de exímia guerreira, é culta, domina diversos idiomas, estudada em várias áreas do conhecimento, tem carisma, possui inteligência emocional, coragem, otimismo, benevolência e firmeza moral (ela sabe muito bem em que acredita e o que quer). Não tem uma beleza física estonteante, mas o conjunto de adjetivos a torna encantadora. Uma combinação harmoniosa de amor e justiça (também já vi isso antes).

Mulher Maravilha e o feminismo


O feminismo tem reivindicado o sucesso do filme pelo empoderamento da protagonista. Ainda que o filme represente as mulheres, ele não levanta a bandeira desse movimento.
Diana é advertida sobre o “mundo dos homens”, sua mãe diz que eles não a merecem. No entanto, a princesa salva, protege e faz parceria com o primeiro homem que conhece.
O filme parece mostrar uma reconciliação entre os gêneros, uma espécie de complementariedade entre os sexos (parece familiar essa expressão).
Essa mulher maravilha é doce, tem compaixão e é o altruísmo que a move. Ela ajuda seu companheiro a ser um homem melhor e ele por sua vez se mostra protetor e retroalimenta suas qualidades. Além do mais uma mulher precisa de um homem sim, mesmo sendo uma heroína, princesa, guerreira e semideusa!

No livro oficial sobre Mulher-Maravilha - Wonder Woman: The Art and Making of The Film -, Zack Snyder, que é produtor e ajudou a criar a história do filme, revela que Steve Trevor (Chris Pine) quase ficou de fora do longa, palavras do diretor:

"No começo discutimos se deveríamos ou não trazê-lo para a história. Steve está tão conectado à mitologia que depois de debater percebemos que assim como a Mulher-Maravilha precisa de Steve, nós precisamos de Steve. Precisamos ser capazes de olhar para Mulher-Maravilha com os olhos do público. E é interessante que esses olhos sejam o de Steve, já que ele representa o status quo. Ele também precisa ser transformado pela Mulher-Maravilha. Ele precisa ver o mundo pelos olhos dela e então se tornar um herói por si só, inspirado por ela".




P.S: Gostaria de explorar as referências bíblicas, filosóficas e artísticas que encontrei, mas acho que essas referências merecem um texto à parte. Quem sabe?!

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Salvamentos


Lendo sobre heróis (os de verdade tá), gente que salvou vidas, fico pensando...
Todos nós gostamos de ver essas histórias e nos emocionamos com filmes ao estilo "A lista de Schindler" e "Até o último homem", e na hora há pessoas que se empolgam e pensam em como também podem ter atitudes heroicas, isso dura alguns segundos, quiçá minutos.
Depois cada um vai cuidar da sua vidinha, o tempo passa e não percebemos que temos a chance de sermos heróis todos os dias.
Não posso salvar tantas vidas como Oskar Schindler, Desmont T. Doss ou Nicholas Winton, quem sabe se durante toda a minha vida eu consiga ao menos salvar uma única vida?
O fato é que muitas vezes salvamos alguém e nem sabemos.
Se eu não posso salvar 700 vidas de uma só vez, posso pelo menos salvar o dia de alguém com uma atitude generosa, talvez uma carona, salvar um momento de tristeza com uma piada bem sem graça para a pessoa esquecer por um segundo sua tristeza, posso salvar a pessoa de sua baixa autoestima enviando um elogio sincero no momento oportuno, posso salvar alguém de inúmeras maneiras... Basta querer, basta treinar...
Já parou para pensar em quantas vezes você teve um herói? Alguém que te salvou de uma situação ou dia ruim? E quantas vezes você teve a mesma oportunidade, de salvar alguém de um momento/dia ruim? Seja o socorro de alguém, nem que seja por um breve momento.
Não menospreze os salvamentos diários, são por causa deles que ganhamos meses, anos... Ganhamos vida!
E o que seria de nós sem os heróis do cotidiano?
A vida é feita de pequenos momentos, de pequenos salvamentos.
Até que o Grande Herói venha.

sábado, 13 de maio de 2017

Até o último suspiro


Queria fazer uma resenha do filme “Até o último homem”, mas não consegui. Gostaria de expressar tudo o que a história me fez sentir, mas esse é um daqueles casos em que as palavras são insuficientes. Então vou destacar a cena mais marcante pra mim.
A cena em que o soldado Desmond Doss está no meio da batalha salvando algumas vidas e perdendo outras tantas. Testemunhando seus companheiros sendo fuzilados, explodirem, perderem membros do corpo, enfim atingidos e mortos. Um cenário de horror para qualquer um.
Desmond alistou-se com a intenção de salvar vidas no Corpo médico do exército, convicto de não quebrar seus princípios religiosos, principalmente ao mandamento “Não matarás”. No olho do furação, entre tiros e granadas explodindo, enquanto salvava o maior número possível de soldados, Desmond se viu numa crise. Ele não sabia mais o que fazer diante de tantas mortes.
Como um homem temente ao Senhor, Desmond questiona “Deus o que quer de mim?” “Onde o Senhor me quer?” “Não consigo ouvi-Lo”. Logo em seguida, ouve vozes de soldados pedindo socorro e segue salvando mais vidas. Enquanto salva mais de 75 homens ele pede: “Senhor, me ajude a salvar mais, mais um”.
Como um soldado desarmado no meio de uma guerra consegue sobreviver e ainda salvar tantas vidas?
Creio que só existe uma resposta: milagre.
Somente milagre explica certas situações como essa, quando Deus tem um propósito, um chamado na vida de alguém, não importa as circunstâncias, se cumprirá.
Esse trecho mexeu demais comigo, pois eu já driblei a morte diversas vezes. E na última, fiz esses mesmos questionamentos que o Desmond. Não entendia o motivo de ainda estar viva, por qual razão o Senhor poupou a minha vida mais uma vez? Minha história tem sido uma sucessão de milagres, mas demorei a enxergar, demorei a ouvi-Lo.
Talvez você não possa salvar vidas literalmente (como um médico), mas há outras formas de salvamento. Muitas vezes salvamos alguém com gestos simples. As pessoas ao nosso redor estão numa guerra sem que a gente saiba. Um abraço, uma palavra de conforto/incentivo pode salvar o dia de alguém. Um ouvir atento e empático pode salvar alguém do desespero, da tristeza. Uma gentileza no trânsito pode mesmo salvar uma vida.
Existem tantas formas de salvar vidas: doar sangue, medula óssea, trabalho voluntário, doar seu tempo e sua atenção, doar algo que não usa (roupas, calçados, livros etc). Ainda que não se consiga salvar uma vida literalmente, podemos salvar alguém de momentos ruins. 
Podemos salvar pessoas todos os dias. Seja o socorro de alguém em algum momento. 
A vida é uma constante guerra. Peça sabedoria e direção ao Senhor para que lhe dê a oportunidade de salvar mais um.
Creio que fui chamada para salvar, de um jeito que só eu e Ele sabemos. Sua voz me guia para cumprir o Seu propósito, até o último suspiro.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Mãos Talentosas





O filme conta a história de vida de Benjamin Solomon Carson, o maior neurocirurgião pediatra entre as décadas de 80 e 90. O auge da sua carreira foi quando operou gêmeos siameses da Alemanha, separando o cérebro dos bebês, a primeira operação na história da medicina em que os dois bebês sobrevivem.

Em 2008 o Dr. Carson ganhou a Medalha Presidencial da Liberdade na Casa Branca (a mais alta honraria civil da nação), além de diversas outras honrarias.
Impossível não admirar a história de Ben Carson, menino negro e pobre, criado somente pela mãe e com problemas de aprendizagem. Rotulado de burro pelos colegas de sala, Ben acreditou mesmo que era incapaz de ser bem sucedido na vida. 
Sua mãe teve um papel fundamental na mudança de postura do filho diante da vida. Ela não aceitou que seu filho fosse burro. 
Sonya Carson, que havia feito somente até a terceira série, incentivou Ben e seu irmão a estudarem o máximo possível. Ordenou que os dois filhos estudassem a tabuada inteira. E o menino que não acertava uma questão na prova de matemática começou a tirar boas notas. Depois percebeu que seus filhos estavam desperdiçando um tempo precioso de vida assistindo televisão. Então tomou a mais acertada atitude, cortar o tempo de TV (só poderiam assistir dois programas de TV por semana) e o restante do tempo decretou que lessem dois livros (cada um), e lhe entregassem os resumos por escrito.
Carson terminou a 8ª série com o prêmio de melhor aluno. Como excelente aluno, mais tarde ganhou bolsa de estudos para a Universidade de Yale. Em uma entrevista disputando a residência médica lhe foi perguntado por qual motivo ele deveria ser escolhido entre centenas de candidatos e porque queria ser um neurocirurgião. Carson responde dizendo que o cérebro é um milagre, expondo sua fé. Ele ficou com a vaga, destacando-se e posteriormente tornando-se chefe da Neurocirurgia Pediátrica daquele Centro Hospitalar. 
Ben Carson descobriu cedo que queria ser médico, ainda menino, ouviu um sermão na igreja sobre um médico missionário. Enquanto o pastor pregava, ele se viu na situação, vestindo um jaleco branco, chegou em casa decidido que seria médico. Ao contar para sua mãe, Sonya Carson lhe disse: “você pode ser o que quiser nessa vida, contudo que trabalhe pra isso”.
Outra frase marcante de sua mãe foi “Você pode fazer tudo o que os outros fazem. Só que você faz melhor”.
Essa linda história é fruto de muito incentivo, muito estudo, perseverança e também oração. 

Her







“Her” filme de 2013 conta a história de Theodore, homem solitário e recém divorciado. Imerso em sua solidão pós- separação, Theo divide seu tempo entre trabalho e internet (jogos e pornografia). Após instalar um Sistema Operacional (SO) com inteligência artificial, o qual tem uma voz feminina e recebe o nome de Samantha, começa a se relacionar cada vez mais com esse sistema. Com alta tecnologia, Samantha é capaz de compreender o universo a sua volta e se comunicar com seu dono com base em seus desejos pessoais e anseios do momento, interagindo como humana. Há algo de curioso nesse filme; a relação entre Theo e Samantha muitas vezes assemelha-se a um relacionamento real. Há conversas, sexo, risadas, ciúme e por fim a dor da separação.
Há no roteiro uma critica as relações interpessoais, a inabilidade de se relacionar, de ter uma conexão verdadeira. As pessoas tem se afastado de laços reais. Os afetos virtuais parecem estar substituindo os reais, deixando as pessoas mais individualistas, solitárias e egoístas também. 
O personagem principal nos diz que existe uma ânsia no ser humano por conexão, ainda se busca compartilhar a vida com alguém, mesmo que de forma inapropriada.
A cada dia pessoas criam relacionamentos artificiais para suprir suas carências reais. Seja com máquinas, animais, ou pessoas. Relacionamento artificial é algo cada vez mais comum. 
Creio que esse fenômeno atual se dê em grande parte pelo analfabetismo emocional, tornando-se um ciclo vicioso. Pessoas que não sabem lidar com suas emoções se relacionam mal, então se afastam/isolam, e assim não aprendem a administrar as emoções e conseqüentemente as relações. 
Somos intrinsecamente seres relacionais, fomos criados para nos relacionarmos uns com os outros. Ainda que muitos não admitam e cantem o mantra “eu me basto, sou auto-suficiente, não preciso de ninguém”. 
Quer enganar quem? Não consegue convencer nem a si mesmo!

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Sessão da Tarde


Eu queria viver uma comédia romântica
Eu queria ser a “Garota de rosa shocking”
Eu queria uma turma “Barrados no Baile”

Para “Curtir a vida adoidado”
Eu sempre achei que sair da escola seria

“O 1º ano do resto de nossas vidas”
Não Titãs, não foi a TV que me deixou burra

Foi Chronos, “O exterminador do futuro”

Que me mostrou que “nada é o que parece ser”
Eu vivi todos os sonhos adolescentes.
Escrevi meu Epitáfio.

Entre nós



Sete jovens viajam para uma casa de campo e decidem escrever cartas para o futuro. A viagem acaba em tragédia, com a morte de um dos amigos. Após uma década, o grupo volta a se reunir e revive emoções de um passado mal resolvido.
“Entre Nós” conta a historia de 7 amigos; Silvana (Maria Ribeiro), Felipe (Caio Blat), Lúcia (Carolina Dieckmann), Gus (Paulo Vilhena), Cazé (Júlio Andrade), Drica (Martha Nowill) e Rafa (Lee Taylor); que se reencontram após 10 anos, mostrando o quanto a vida muda podendo ser bastante complicada, revelando  segredos guardados durante uma década.
O filme  começa em 1992 onde o grupo de amigos está em perfeita harmonia e descontração numa casa de campo, estão felizes,  bebendo, cantando e se divertindo.
No meio de muita diversão, resolvem que cada um deve escrever uma carta para si mesmo sobre o que esperam do futuro; enterram as cartas, e decidem  que elas sejam  abertas dez anos depois.
 Felipe, Rafa e Silvana eram os solteiros do grupo. Rafa e Felipe eram muito amigos, ambos estavam escrevendo seus respectivos livros, sempre um ajudando o outro, só que Rafa já estava no fim do seu e Felipe ainda buscava inspiração. Além do trio havia os casais; Lúcia namorava  Gus, e Drica namorava Cazé.
Após o enterro das cartas para o futuro (cápsula do tempo) e  muita cantoria,  a bebida acaba. Rafa decide ir até a cidade comprar mais. Felipe decide acompanhá-lo, pois o amigo já tinha bebido muito.
Os promissores escritores conversam sobre suas obras, Rafa mostra seu livro já com final pronto. Os dois sofrem um acidente, Rafa acaba falecendo. Após a tragédia, os amigos ficam dez anos sem se ver.
O grupo só se reencontra em 2002, na mesma casa, para abrir a caixa enterrada e revelar o conteúdo das cartas.
Há uma atmosfera de suspense psicológico, algo que no decorrer das cenas vai se desenrolando. Um drama denso sobre amizade, morte e conflitos. Rafa, apesar de fisicamente ausente, é uma presença constante. Os outros personagens, bem, cada um seguiu seu destino, não vou contar, assista.
Traição, sentimento de culpa, desamor, falta de ética, desilusão com os ideais e princípios defendidos da juventude, frustração profissional e desencanto diante da vida, são questões levantadas.
No melhor estilo “O primeiro ano do resto de nossas vidas”, o cerne  do filme é a passagem do tempo, o amadurecimento, a perspectiva de futuro enquanto jovens, os sonhos que se (não) realizam ao longo desse tempo.
Quem está na fase madura da vida, vai se reconhecer em algum momento em um dos personagens. Quando o tempo passa, olhamos a juventude e refletimos sobre nossas escolhas, crescimento e (não) mudança de caráter nossa e de nossos velhos amigos.
Os segredos vão aos poucos sendo revelados até o momento da abertura e leitura das cartas. Entre os segredos estão as relações amorosas mal resolvidas entre os personagens.
O filme termina deixando um certo suspense no ar, com jeito de continuação.  

Espero que tenha mesmo, gostei do roteiro. 

domingo, 22 de maio de 2016

Somos médicos e monstros


Lembrei esses dias da obra "O médico e monstro" de Robert L.Stevenson. Um clássico da literatura. Um homem com dupla personalidade. Uma é um ilustre médico, filantropo respeitado, exemplo de conduta. A outra é a do hedonista, que busca o prazer carnal, que comete crueldades e vilanias, sem responsabilidades. Há uma poção que permite a transmutação entre as personalidades. Essa obra mostra que todo ser humano tem dentro de si algo vil e asqueroso, da própria natureza humana. O bem e mal coabitam em todas as pessoas. O médico ao tomar a poção pensa ter controle do mal que o habita, mas a cada dose, o monstro toma conta de uma porção maior da sua vida, deixando a personalidade do médico mais ausente.
Todos nós somos médicos e monstros. Como médicos, cuidamos e ajudamos a curar uns aos outros, mas temos também o monstro dentro de nós, que fere quem está ao redor e ferimos a nós mesmos quando nos deixamos levar pela "poção" (pecado) na ilusão de que temos o controle (auto-suficiência).
Meu desejo para toda a vida é que nós não nos deixemos seduzir pela poção, que possamos ter consciência do monstro dentro de nós, cuidando para que ele apareça o mínimo possível. Desejo que nos possamos ser mais médicos do que monstros. E creio que isso só é possível por meio Dele, o antídoto da "poção".

Ouça essa música e perceba como a letra expõe a natureza ambígua do ser humano e o remédio para o mal que nos habita:







sábado, 21 de maio de 2016

QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO?


A história filme começa perguntando como um menino da favela conseguiu chegar ao topo do jogo televisivo que dá título ao filme. E logo em seguida já mostra o rapaz sendo torturado. Todo mundo quer saber, como alguém totalmente desprovido de qualquer educação, conseguiu chegar tão longe no programa.  Seria o jovem um sortudo? Um gênio? Um trapaceiro? Para responder às perguntas, Jamal conta a história de sua infância. Órfão muçulmano, ele cresceu ao lado do irmão Salim e da pequena Latika, por quem nutre uma paixão protetora desde pequeno.
Aos poucos cada pedacinho da trama se encaixa, revelando um quebra-cabeça.
Os três tiveram uma infância difícil, vivendo praticamente na miséria, correndo riscos de vida e sem dúvida nenhuma com muito sofrimento. Eles se desencontram e Jamal quer muito reencontrá-los
Salim, irmão mais velho de Jamal prefere encarar a vida pelo lado mais fácil, se torna bandido. Latika, não tendo escolhas e sendo forçada, fica com um gangster (um mafioso) na cidade de Mumbai ou Bumbai que é para quem Salim realiza quaisquer tipos de trabalho criminoso. Os dois irmãos cresceram no mesmo ambiente de miséria com uma educação precária, mas tiveram escolhas diferentes, Salim partiu para a criminalidade, pois era ambicioso e gostava de dinheiro fácil, enquanto Jamal só pensava em encontrar Latika e se tornou um cidadão sociável e pacifico na sociedade. Jamal começa então a trabalhar de servindo chá numa empresa de atendimento ao cliente, onde vê o anuncio desse programa de perguntas (Quem quer ser um Milionário?)  e decide participar, não para ganhar dinheiro, mas porque tinha certeza de que Latika iria assisti-lo.
Então começa a serie de perguntas, por incrível que pareça Jamal sabe a resposta de todas, tudo o que aconteceu em sua infância se transforma em algum tipo de conhecimento, Jamal se torna o único a vencer o programa e sair com 20 milhões de rupias (dinheiro indiano).
No final do filme, Salim permite que Latika fuja para viver uma vida feliz com Jamal, em consequencia disso é morto com vários tiros. Jamal se encontra com Latika, a razão pela qual entrou no programa, e assim o filme acaba.
Esse filme nos leva a pensar que não estamos presos ao determinismo. Podemos ter escolhas, de superar as dificuldades, creio que somos seres transcendentes.
Entre outras coisas, tudo o que nos acontece tem um propósito.

E também me fez lembrar de uma música de Stênio Marcius:

“Minha vida é obra de tapeçaria
É tecida de cores alegres e vivas
Que fazem contraste no meio das cores
Nubladas e tristes

Se você olha do avesso
Nem imagina o desfecho
No fim das contas
Tudo se explica
Tudo se encaixa
Tudo coopera pro meu bem”


(O Tapeceiro)

À ESPERA DE UM MILAGRE


Na década de 1930, no corredor da morte em Louisiana, temos a história da relação entre Paul Edgecomb (Tom Hanks), o chefe de guarda da prisão, e um de seus prisioneiros, John Coffey (Michael Clarke Duncan)
Durante anos, Paul anda por esses corredores acompanhando um grande numero de presos. Mas nunca antes conhecera alguém como John Coffey, um negro enorme condenado por ter matado brutalmente duas garotas. Mas, o tamanho e aparência de Coffey impediam que as pessoas vissem a grandeza e bondade de seu coração. Além de sua natureza simples e ingênua (tinha medo do escuro), o preso possuía um dom sobrenatural. Através deste dom foi capaz de ressuscitar um rato só pra não ver o prisioneiro ao lado (dono do rato) chorando. Com este mesmo dom curou o próprio Paul de uma forte infecção urinária que lhe causava muitas dores, curou também a esposa do amigo de Paul  de um com câncer terminal. Enfim, um homem diferente, extrarordinário, e estava ali esperando a sua sentença no corredor da morte. Paul começa a questionar como pode? Eu não acredito! Um homem como Coffey não podia ser o culpado do assassinato das duas meninas.
Quando Coffey foi levado para a cadeira elétrica, não estava chorando, mas sorrindo dizendo que brevemente estaria melhor. Ao chegar até a cadeira, antes da execução o chefe perguntou se  ele  tinha algo para dizer aos presentes. Ele apenas disse: “Desculpe-me por ser o que sou”.
Um dos soldados que estava apertava os cintos na cadeira não conseguiu controlar suas lágrimas, ao ver um homem bom e inocente ser condenado à morte.
Coffey foi julgado  pelo crime de duas meninas, que foram encontradas mortas em seus braços, aparentemente ele foi pego em flagrante, mas não havia provas contra ele. E agora estava esperando a cadeira elétrica.
John Coffey era um homem dotado de um dom sobrenatural incapaz de ser visto por aqueles que não enxerga além das aparências. Mas Paul  viu em Coffey um homem diferente, com um coração enorme e o dom de realizar milagres. Paul num momento do filme  diz:  “O que irei falar para Deus quando encontrá-lo no julgamento final, que matei um de seus milagres?”
Muitas vezes nos deparamos com pessoas que aparentemente não mostram o seu potencial, o seu real valor, e julgamos pelo que vemos, sem saber que com as nossas atitudes estamos matando um milagre de Deus.
Assisti ao filme já faz um tempinho, mas tem uma passagem do filme que sempre me vem à mente: a cena em que o personagem de Tom Hanks se aproxima da cela em que o preso John Coffey está, o prisioneiro pede para segurar a mão do policial e este o faz. No momento em que as mãos se tocam há uma explosão de faíscas, para marcar o que vem a seguir. A cena seguinte se passa num plano paralelo, em que o prisioneiro por meio do contato físico mostra a Paul o que ele enxerga no mundo, são cenas de muita crueldade, mostra pessoas cometendo atrocidades, homicídios, entre outras maldades. Essa é uma forma do prisioneiro dizer ao policial porque prefere ir para o corredor da morte, em outra cena mostra John Coffey confessando estar cansado e que seria um alivio poder ser tirado deste mundo. Após esse contato sobrenatural, Paul passa a enxergar o mundo sob a ótica de John Coffey e compreende o que realmente estava acontecendo naquele presídio.
Fazendo um paralelo com a cena do filme, muitas vezes tenho o desejo de possuir o dom de transmitir a muitas pessoas o que vejo, principalmente no campo espiritual. Pois fico triste em notar que muitos vivem como se só existisse o aqui e agora, muitos ignoram o fato de haver Vida além da vida.
Vivem no melhor estilo “Comamos e bebamos, porque amanhã morreremos!” (Isaías 22:13).
Sei que não posso fazer o que o personagem fez, mas pelo menos posso dizer, e sempre é tempo de dizer para  todos que não tem a visão  da eternidade que:


“Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam.” (1 Coríntios 2:9)

quinta-feira, 28 de abril de 2016

A lição de 'O último samurai'







Imagens do filme "O último samurai" (clique na foto e preste atenção na sequencia das cenas). Pesquisando sobre esse filme, percebi que nenhuma resenha fala sobre o tema que mais me chamou a atenção.
O personagem de Tom Cruise (capitão Nathan Algren) após uma batalha é capturado pelos inimigos e é levado para a aldeia deles.  Uma mulher fica encarregada de cuidar do capitão enquanto ele se recupera dos ferimentos. Nathan antes de ser capturado na batalha matou o marido dessa mulher, e ele fica sob os seus cuidados. A viúva o alimenta, cuida dos seus ferimentos, o abriga em sua casa com seus filhos, tendo motivos para odiá-lo. Imagine a dor dessa mulher, cuidar do assassino de seu marido! Essa postura fazia parte da cultura de seu povo, então mesmo sendo um grande sacrifício e ainda de luto, ela segue com o desafio.
Até o fim do filme, a repulsa pelo assassino se transforma. Pois quando você conhece de perto, muito de perto aquele quem lhe fez mal, convive a ponto de conseguir conhecer seus pontos vulneráveis para se vingar, então nesse momento você também aprende a amar até mesmo quem lhe feriu. Se isso não acontecer o inimigo pode ser você mesmo. Significa que o mal venceu, uma  evidência de que o mal o penetrou interiormente.
É humano querer se distanciar ou até mesmo se vingar de quem nos causou dor. É sobre humano suportar a dor e sobrenatural retribuir o mal com o bem.


Meu desejo: Que eu seja como o sândalo que perfuma o machado que o feriu.

 "Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem. "

quarta-feira, 9 de março de 2016

Wilson e os náufragos



                                            "Não é bom que o Homem viva só."

Pensando sobre o filme “Náufrago” esses dias, pensei em  como  estamos "ilhados” em nós mesmos, em nosso mundo, em nossa virtualidade, numa imensa solidão coletiva. Somos "náufragos ". Segundo minha pesquisa:

Náufrago, vítima de qualquer acidente cujo desfecho aconteça nas águas. Existem algumas correntes que afirmam que indiferentemente da embarcação ou de como aconteceu o acidente, a vítima que tenha ficado perdida no mar, será chamada de náufrago.

Somos vítimas, isto é, enredados, presos na armadilha do individualismo, da auto-suficiência. Caímos num mar de relacionamentos superficiais, continuamos sozinhos, perdidos, á deriva na multidão. Como é possível, ter tanta gente ao redor e estar sozinho no mundo?
Talvez seja porque criamos nossas próprias ilhas, e ainda que sejamos cercados de informações, aplicativos, redes sociais e tudo o que a moderna tecnologia  proporciona, ainda vivemos perdidos num oceano de relações superficiais, sem se envolver, sem intimidade. Somos náufragos relacionais. E como válvula de escape, para sobreviver na ilha que nós mesmos criamos, utilizamos recursos, algo para minimizar a solidão coletiva, então inventamos os "Wilsons".
No filme o personagem  humanizou a bola como uma forma de manter-se lúcido diante de uma condição extrema, em que a loucura era  quase inevitável!
Era necessário ter essa válvula de escape. Mas, e fora daquele contexto?
O  curioso é que de todos os sofrimentos que ele padece na ilha, o mais dilacerante foi a solidão. Tanto que o choro desesperado só acontece no momento em que ele perde a bola, no rompimento da relação. E foi exatamente o ponto que me chamou a atenção. A necessidade primária do ser humano de ter "alguém", de relacionamento, de conexão, intimidade. Fomos feitos para nos relacionar, e a maneira como muitos vivem hoje é contrária a natureza.
Enquanto o Homem insistir em viver de um modo do qual não criado para viver haverá cada vez mais náufragos de uma forma cada vez mais intensa e não haverá “Wilsons” o suficiente.

Ficaremos presos nessa ilha chamada solidão coletiva.