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sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

No mundo tereis aflições

 

O sofrimento tem a capacidade de moldar as pessoas de duas formas diferentes.

Pode deixar uma pessoa amargurada e ressentida, e por causa do sentimento de injustiça essa pessoa vai descarregar sua amargura e ressentimento como uma metralhadora usando palavras pesadas numa fúria silenciosa atacando àqueles que não se enquandram em seu moldes, como se estes fossem seus algozes, os causadores diretos do seu sofrimento.

Perpetuando assim um ciclo de hostilidade.

A segunda coisa que o sofrimento causa em uma pessoa é torná-la compassiva e empática, pois essa reconhece no outro o sofrimento que a afligiu.

A vida é dura, o mundo é cruel, o sofrimento imposto deixa essas duas alternativas. Cabe a cada um escolher entre os dois caminhos.

Se você escolheu o primeiro saiba que sofrerá ainda mais, pois estará causando sofrimento aos outros. Aqueles que escolherem o segundo caminho também sofrerá mais, pois ser compassivo signfica sofrer com o outro.

A diferença é que o sofrimento do primeiro é causador de mais dores e o sofrimento do segundo é amenizador e acolhedor.

Um dá continuidade ao ciclo do sofrimento humano, o outro abrevia.

O que você vai fazer com o que a vida lhe faz?

terça-feira, 3 de novembro de 2020

Despersonalização: eu, fora de mim

 



Eu, que não sou eu

Eu, na tela da realidade

Vivendo a irrealidade

Fora de controle

Fora do meu corpo

Fora da minha vida

Desrealizada

Despersonalizada

Eu, fora de mim.

terça-feira, 6 de outubro de 2020

Comunhão + misericórdia = cura

 


 

O tempo é o melhor remédio?

O tempo cura? Nem sempre.

Muitas vezes é necessário mexer na ferida, apertar até que todo o pus seja colocado para fora.

Será preciso coragem, pois vai doer e vai sangrar...

Depois se aplica a pomada do Amor, cubra a ferida com o pó empático, enrole o ferimento na faixa da compaixão e então aguarde o tempo fazer seu trabalho, não o chronos, mas o kairós.

A cura das feridas da alma está intimamente relacionada com a comunhão misericordiosa. 


segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Cicatrizes



Na cabeça,
Os cabelos escondem
Nos ossos,
Pele e músculos encobrem
Eu as esqueço
E as invisíveis?
São presenças constantes.
Não preciso esconder
Ninguém percebe
Só Ele as conhece.
É uma questão para a outra vida.


quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Caranguejo






A astrologia diz que é signo.
A astronomia, constelação.
Tem no mar.
Tem no mangue.
No mar, assusta.
Na vida...
Susto, tristeza, angústia.

Tem em desenho animado.
Alguns o têm no prato.
Outros, no corpo.
Outros ainda, na alma.

O imperador de todos os males.
Nunca foi
Nunca será
O maior mal.

Maior é Quem está em mim.
Quem está em ti.
Muito maior é Aquele...
... Que dividiu a História
... Que é o Início e o Fim.
... Que cura todos os males.
O Imperador de todas as nações.

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Gostaria, mas...




Eu gostaria que você soubesse o quanto te amei. 
Mas você não se importa com meus sentimentos.
Eu gostaria que você soubesse o quanto me machucou.
Mas você não se importa comigo.
Eu gostaria que você tivesse consciência do quanto cada mentira me destruiu. 
Mas você não sabe o que é lealdade.
Gostaria que você sentisse o peso do seu desprezo rasgando meu coração.
Mas você parece não ter coração.
Exponho minhas dores,
Mas isso não o atinge.
Eu gostaria que enxugasse minhas lágrimas.
Mas você é o motivo delas.
Talvez não tenha a dimensão da sua canalhice. 
Talvez até saiba que foi babaca, mas não faz questão de ser diferente.
És indiferente à mim
Surdo às minhas palavras.
Mudo aos teus erros. 
...
Eu gostaria de ...
...
Calar tua existência em mim.


terça-feira, 19 de março de 2019

Eu (não) perdôo




Eu não te perdôo por todas as vezes que me usou e me descartou em seguida.
Eu não te perdôo por me fazer sentir especial para depois me desprezar.
Eu não te perdôo por ter visto a minha dor e ignorá-la.
Eu não te perdôo por ter chamado de drama as feridas da minh’alma.
Eu não te perdôo por ter me feito chorar e não me consolar.
Eu não te perdôo por ter voltado sabendo do mal que causava.
Eu não te perdôo por ter alimentado tão bem o Demônio do meio dia.
Eu não te perdôo por ter não sido honesto e transparente.
Eu não te perdôo o por ter-me feito amar alguém que não existia.
Eu não te perdôo por todas as vezes que desperdiçou meu tempo.
Eu não te perdôo por ter criado um personagem que fingia me amar.
Eu não te perdôo por ter transformado nossa relação num roteiro de suspense.
Eu não te perdôo por ter me deixado ir tão fácil, sem insistir.
Eu não te perdôo por não ter me pedido perdão.
Eu ME perdôo por ter permitido tudo isso.
Eu ME perdôo.


O Demônio do meio dia




O Demônio do meio dia não aparece somente ao meio dia
Ele vem ao meio dia e no restante do dia
O Demônio do meio dia aparece também à meia noite
O Demônio do meio dia não tem hora
Ele vem noite e dia
Dia e noite
Madrugada adentro
Às vezes Ele parece ausente
Sorrateiro
Chega
Invade meu templo
Acampa
Faz festa
Saí sem limpar a sujeira que deixou
Volta
Traz seus filhotes
Demoninhos que entoam a canção da morte:
“Ninguém se importa com você”
“As pessoas não gostam de você”
“Você não faz diferença pra eles”
“Fulano só te suporta por obrigação”
“Sicrano só fala com você por educação”
“Tá vendo! Visualizou e não respondeu, te ignorou.”
“Aquela pessoa só está te usando”
“Você não faz falta no mundo”
“Essas pessoas não fazem a menor questão da sua presença”
“Sua ausência não é notada nesse ambiente”
Monstrinhos perturbadores
Minam sua autoestima
Acabam com seu senso de valor.
O trabalho deles é te diminuir.
Fazer você se sentir um nada, um lixo.
Melhor ter a Solidão como companhia.
Ela, até que me faz bem.
Aprendendo a viver a cada dia entre
o Demônio do meio dia e a Senhora Solitude.


segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Narcisista perverso


Você me usou
Me descartou
Foi tóxico
Me feriu
Me senti suja
Indigna
Carreguei os fardos
Que não me pertenciam
Esperei reparação
Em vão
Saí...
...
Voltei!
Reconciliação?
Em vão
Você jogou em mim
A culpa que era sua
Desisti
Sua perversidade é patológica.

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Frondosa




Você chegou
 Plantou suas sementes em mim
Floresceu tão lindo!
Criou raízes
Fez-se árvore
Foi embora
Cada machadada
Cada galho arrancado
Cada corte
Ainda sangra
Coleciono cicatrizes
Só restaram as raízes
Crescerei
 Florescerei novamente
Inteira
Sem você
Serei frondosa


sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Finais machucam, recomeços curam.




Fim.
Dor.
Nunca aprendi dizer adeus, é doloroso o processo de deixar ir quem você quer que fique. Quando alguém que amo sai da minha vida, entro num período de luto. Mas Deus não desperdiça nenhuma dor. Ele a usa para Seu divino propósito, e também para ajudar outros. Quem passou por determinada dor consegue compreender bem e ajudar aquele que passa pela mesma experiência.
Feridos não curados ferem e feridos curados são curadores.
E depois que passa a tempestade, depois de todos os conflitos mal resolvidos ficarem no passado, depois da raiva, da mágoa, do ressentimento vem o arco íris. Depois de tudo, você percebe que deve ser grata por todas as turbulências, por todas as pessoas tóxicas que passaram pela sua vida, tudo foi um aprendizado para que entendesse e cumprisse melhor o plano de Deus. As dores e pecados nos cegam.
Todas as lágrimas derramadas serviram para regar as sementes que estavam escondidas no seu coração e que agora florescem.
Depois que você entende, há certo alivio em constatar que Ele estava no controle de tudo como sempre e Seus planos são infinitamente mais altos que nossas dores.
As pessoas que despedaçaram seu coração no final foram suas ajudadoras, com elas você pôde aprender mais sobre si mesmo. O que o motivou ter um relacionamento tóxico, por qual motivo permaneceu o tempo que permaneceu, como conseguiu superar, inúmeras questões podem ser levantadas e então você se encara tal como é. Suas fraquezas são expostas, seu caráter pode ser fortalecido quando se supera uma crise.
Sou grata por esses passantes tóxicos, apesar da dor, me ensinaram coisas que acho que não saberia se não fossem eles.
Não há nada, absolutamente nada fora do controle do Soberano e nada que Ele não use na vida de seus filhos para o fim supremo.
Agradeço de coração limpo todo o mal que me fizeram, pois o Senhor os transformou em bênçãos.
Cura.
Recomeço.

 "Vocês planejaram o mal contra mim, mas Deus o tornou em bem."


quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Ausente



Não diga que me ama quando eu estiver indo embora.
Não diga que vai orar por mim só quando eu estiver no meio da tempestade.
Não me abrace quando o seu “tanto faz” for o motivo das minhas lágrimas.
Não me ofereça ajuda quando eu disser que já precisei dela.
Não chore quando eu não estiver mais na sua vida.
Faça hoje.
Abrace agora.
Diga que me ama, me procura.
Mostra que se importa.
Demonstre seu amor com atitudes.
E principalmente com presença.
O resto é blá blá blá.
Retórica vazia.

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Suicídio: Por que você não se mata?




“Só há um problema filosófico verdadeiramente sério: o suicídio. Julgar se a vida vale ou não vale a pena ser vivida é responder a questão fundamental da filosofia”. Albert Camus

Essa é uma questão filosófica, que envolve o sentido da vida. Toda pessoa deveria pensar e responder essa pergunta. Todos os dias pessoas cometem suicídio. As razões são diversas; perda do trabalho, crise financeira, luto, doenças, crise afetiva amorosa. Por alguma razão o peso da vida se tornou insuportável, não enxergando mais motivos para viver ou por não conseguir uma maneira de superar os problemas, vê-se a morte como uma solução, a única saída para o absurdo da vida. Uma das razões mais comuns para o suicídio é a depressão.

Transtorno e sofrimentos psicológicos parecem se espalhar pelo ar nos nossos dias, como um vírus que contamina a vida moderna. Nossas dores se multiplicam e ganham nomes, centenas de nomes. E organizações de saúde já falam em uma epidemia de depressão. Ela é um demônio que não nos deixa levantar, que nos espreita ao meio dia, que caminha ao nosso lado como uma sombra. O que não muda nunca é o sofrimento humano, mas em um mundo hedonista não há espaço para as angustias, coisa de gente mal resolvida. Falar de melancolia é falar da dor humana e do sentido da vida.
                                                                              Luiz Felipe Pondé




O suicídio é um assunto bastante delicado e um tabu, repleto de opiniões divergentes. Há quem diga que a pessoa que tira a própria vida é covarde, fraco por não continuar lutando. Há quem diga que o suicida é corajoso por ir contra a natureza humana de preservação da vida. Não creio que essas visões abarcam a totalidade da questão. Durante muito tempo pensei em escrever sobre o assunto, sem saber como dissertar sem me expor, acho que não sei escrever sem ser autobiográfica.
Certa vez um amigo me perguntou: “Você acredita em milagres?”.
Minha resposta: “Minha vida é um milagre, toda a minha vida é um milagre. Eu vivo de milagres.”.
Poucas pessoas conhecem minha história, gostaria de contar tudo o que vivi e tornar públicas as minhas experiências. Talvez ainda não seja o momento. Por enquanto vou dando “spoilers”. Acredito no poder do testemunho e tornarei pública minha experiência com o suicídio.
A tristeza se fez presente muito cedo em minha vida, tinha uma personalidade melancólica, pessimista e cética; quase um Schopenhauer de saia.
Por volta dos doze anos de idade, eu tentei me matar. Já era um pensamento  recorrente, mas não sabia como colocar em prática.
Prestando atenção nas reportagens sobre artistas que morreram de overdose descobri que muitas dessas overdoses envolviam uma mistura de drogas/remédios com álcool. Foi nessa época que li o relato do Marcelo pela primeira vez, o autor conta em “Feliz Ano Velho” que tentou o suicídio, como bem sabemos sua tentativa não deu certo. Mas comigo daria, pensei.

“Que loucura, o que está acontecendo? Eu aqui deitado, sem poder me mexer. Essas pessoas que nunca tinha visto antes, esse lugar, o que é tudo isto afinal? A única certeza que tenho é de que estou vivo e muito lúcido. Consigo me lembrar perfeitamente do acidente, do meu passado, de tudo, enfim. Minha cabeça está a mil por hora e eu aqui paralisado: não poderia ter acontecido algo tão sério assim, será?”[...] Não tinha o mínimo sentido. As lágrimas rolaram, chorei sozinho, ninguém poderia imaginar o que eu estava passando. Nada fazia sentido. Todos sofriam comigo, me davam força, me ajudavam, mas era eu que estava ali deitado, e era eu que estava desejando minha própria morte. Mas nem disso eu era capaz, não havia meio de largar aquela situação. Tinha que sofrer, tinha que estar só, tão só que até meu corpo me abandonara. Comigo só estavam um par de olhos, nariz, ouvido e boca. Foi o que eu prometi a mim mesmo. “Se eu não voltar a andar, darei um jeito qualquer pra me matar.” Era bom pensar assim. Eu não tinha medo de morrer. Era muito mais fácil a morte que a agonia daquela situação.
Marcelo Rubens Paiva


Numa noite antes de dormir, fui até a caixa de remédios dos meus pais e peguei vários comprimidos, não entendia nada de medicamentos e não fazia a menor ideia do que estava pegando. Tomei os comprimidos junto com um copo de aguardente, a famosa pinga 51.  Deitei-me achando que morreria enquanto dormia e no dia seguinte amanheceria sem vida.
Quando acordei no dia seguinte, a primeira coisa que pensei foi: "Droga! Não morri!" e "Nem pra morrer eu presto!”.
Nunca mais tentei acabar com a minha vida, mas pensei inúmeras vezes.
Anos mais tarde descobri que os remédios que eu havia tomado eram homeopáticos e, portanto não tinham o poder de matar. Uma das coisas mais ridículas da minha biografia com certeza. Minha história com o suicídio não termina aqui, ainda.
Já adulta fiz trabalho voluntário numa ONG de prevenção ao suicídio. Coincidência?
Trabalhei mais ou menos 10 anos e ouvi coisas inimagináveis. Protegidas pelo anonimato, as pessoas não tinham receio algum e rasgavam seus corações para os voluntários.  Um trabalho que me fez adentrar no mundo daqueles que perderam a vontade de viver, caminhando com suas dores, consegui sentir melhor os dois lados da moeda, isto é, a vontade de partir ao mesmo tempo, o desejo de ficar. O fato de conhecer tão bem o drama de quem não quer mais viver, me fez valorizar mais a vida. A verdade é que eles não queriam de fato morrer, queriam deixar de sofrer, acabar com a dor.
Não pensei em tirar minha vida durante muito tempo, até ser atingida por uma tragédia, de fato.  No auge da vida adulta sofri um grave acidente de trânsito. Era independente, trabalhava, fazia faculdade, tinha uma vida social ativa e em menos de um segundo tudo mudou. “Feliz Ano Velho” foi relido, teve um efeito catártico. 
Após meses imobilizada numa cama, meses de fisioterapia, sofri também as consequências psicológicas. Tive quatro doenças simultâneas: estresse pós-traumático, depressão, transtorno de ansiedade e de despersonalização.  Tudo junto e misturado. 
 Então o pensamento de morte voltou, era uma ideia extremamente atrativa diante do que estava vivendo.

Em meio ao tratamento psicológico, fui liberada para voltar ao trabalho pelo médico da Previdência Social.
Durante certo tempo tentei descrever a sensação de ter perdido a si mesmo, de se ter um buraco negro dentro d’alma. Eu que gosto tanto de palavras fiz um esforço para que alguma coubesse em minha Ausência. Esmiucei o dicionário, acabei com o estoque de adjetivos para tentar qualificar meus sentimentos, nenhum vocábulo foi suficiente para descrever meu estado. A dor que eu sentia era inominável!
Todos os dias eu ia trabalhar usando o metrô, e era na espera pelo trem que a ideia de morte batia mais forte. Ouvia uma voz que dizia: “Vai, se joga na frente do trem, será rápido e indolor, é morte instantânea, acaba de uma vez com essa dor.”.
Era uma tortura. Todos os dias enquanto aguardava o trem, essas palavras se repetiam na minha cabeça. Dia após dia, Vida e Morte travavam uma guerra no meu íntimo.
Mas todos os dias a Vida ganhava, o Espirito Santo me lembrava de todas as vezes que vi a Morte face a face, e uma voz dizia: “Você sobreviveu até aqui, escapou várias vezes, tem uma razão para continuar vivendo, você tem uma missão a cumprir, Ele te chamou, continue lutando.”.
Pensava em Cristo, na minha salvação espiritual e quem sabe a salvação física fazia parte também? Por que não morri no acidente? Por que não morri das outras vezes que minha vida ficou por um fio? Deve haver uma razão para ter sobrevivido. E se realmente não é minha hora? E se mais uma vez eu sobreviver?
Cheguei à conclusão definitiva que não sou dona de mim. Minha vida não me pertence. O Senhor a comprou com Seu sacrifício na Cruz. É Ele quem decide quando e como partirei. Não devo, não posso e não quero ir contra o Dono da minha vida.
Por que eu não me mato?
Sei que meu Redentor vive e a esperança é a âncora da minha alma.
Sei principalmente que não existe vida fora da Palavra.

P.S: aos que sofrem com dores da alma, aos que pensam em não mais viver: continue lutando! Sua vida vale muito mais do que imagina.


sábado, 7 de julho de 2018

PAI




Copa do Mundo.
Brasil em Campo.
Velado ao som de “Goooool!!!”
Enterrado com  vuvuzelas.
Brasil ganhou.
Te perdemos.
Vai Brasil!
Tchau pai.

A Copa continua.
Ele gostava de assistir aos jogos.
Às vezes passava mal, era muita emoção.
Tinha um coração debilitado pelas doenças, pelo tempo, pela vida, pelos pecados.

Sua ausência se faz presente.
Presença que pesa.

Fui ao mercado, tive vontade de comprar goiabada para você.
A seção de doces e sobremesas é o lugar que mais lembra você.
Gelatina, bolo, goiabada, marmelada, frutas em calda.
Algumas vezes levei guloseimas para te ver feliz.

O único devorador de doces na família.
Aí veio a dona Diabete, essa estraga prazeres!
E você foi proibido das suas delícias.
Assaltava a geladeira escondido.
Todos sabiam.
Só você achava que era escondido, dizia:
“Comer é o único prazer que tenho.”
Gerava compaixão, abriam-se exceções.
“Deixa ele comer, é só um pouco.”
“É só não abusar que está tudo bem.”

E víamos em seu rosto, o deleite.
Nos últimos tempos, o via sorrir somente quando comia suas guloseimas proibidas e quando via os filhos.
Seu sorriso ao me ver era a minha alegria.

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Traição, injustiça e reparação



O que é pior, a traição ou a injustiça?
E quando as duas vêm juntas? 
Traição e injustiça ao mesmo tempo parecem insuportáveis. Nesse caso, você não terá que "apenas" perdoar, terá que administrar a sede por justiça/vingança que essa dor traz.
O sonho de todo injustiçado é ter uma reparação. Ver o mal que lhe fizeram sendo reconhecido, o algoz arrependido e se responsabilizando por seus erros.
O problema é que nem sempre o mal é reconhecido, nem sempre o algoz se arrepende, nem sempre o mal é reparado.
Se a falta de perdão é uma prisão, a espera por reparação é outra.
Às vezes você recebe um pedido de perdão no estilo politicamente correto; a pessoa pede perdão por protocolo sem de fato se arrepender. O arrependimento genuíno procura reparação, pois quem de fato tem consciência do mal não se conforma com a injustiça.
E quando não vem, você faz o que? Espera? Procura justiça pelas próprias mãos (vingança)? Lembre se que não temos controle algum sobre outra pessoa, não importa o que faça.
Você pode chorar, você pode tornar público o mal recebido (em tempos de redes sociais), jogar na cara tudo o que o outro lhe fez e ainda sim, não ter o arrependimento verdadeiro e a reparação. Então além de perdoar é preciso, descansar em Deus.
Não pedir, nem esperar por uma justiça que pode nunca chegar (aos seus olhos).
Deixe a injustiça para O Justo Juiz.
Ele saberá reparar o mal, no momento certo e da maneira certa. Só ele, conhecer do passado, presente e futuro pode fazer justiça verdadeiramente justa.
Quando você reconhece quem é o Supremo Juiz, consegue sair da prisão da espera por reparação que gera raiz de amargura.
De agora em diante, aquele que lhe causou mal, não te deve mais nada.  Não é mais com você, é com o Senhor.
Pois cada um prestará contas de si mesmo, de suas palavras e ações no Tribunal do Senhor. (Romanos 14:12)
Confiar no Justo ainda é o melhor remédio para as injustiças do mundo.
Os olhos do Senhor estão em toda parte, observando atentamente os maus e os bons. Provérbios 15:3
O justo e o ímpio, Deus julgará a ambos, pois há um tempo para todo propósito, um tempo para tudo o que acontece. Eclesiastes 3:17

domingo, 13 de maio de 2018

Cura das feridas





Um coração ferido, atingido pela flecha da desumanidade tem duas estradas a seguir.
Caminhar com a flecha cravada no peito, com mágoas e ressentimentos. Isso certamente o impede de abraçar outra pessoa. Mesmo que queira, pois a flecha entre os corpos não permite tal aproximação, um abraço pode machucá-lo ainda mais e também machucar o outro. 
A segunda estrada é a da transformação. Arrancar a flecha, chorar e sangrar por um tempo. Seguir a vida e quando encontrar alguém no caminho... abraçar. 
Então no abraço, um coração tocará o outro, estancando a ferida.

A cura das feridas da alma se dá no encontro dos corações.

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Confissão





Quando você peca contra outra pessoa, fere alguém, você precisa restituir a dignidade que o seu pecado roubou dessa pessoa. Não seja hipócrita  pedindo um perdão superficial/generalista, do tipo "Ah me desculpa!", isso é coisa de gente que só quer cumprir o protocolo, do tipo "Eu pedi perdão, fiz minha parte". Verbalize de forma clara e pontual seus erros, identificando onde/como errou, mostrando que realmente está consciente que do mal que causou. "Me perdoe por isso e por aquilo, que causou aquilo outro."
O silencio do agressor prolonga a dor do agredido, salvo raras exceções. 
A confissão sincera é uma forma de forjar o teu caráter, te lapidar espiritualmente e salvar relacionamentos (ainda que não continue da mesma forma). E a oração agressor/agredido traz cura para ambas as partes.
Quando você desabafa, abre seu coração. confessa seus erros, há uma liberação de sentimentos ruins, de culpa, auto engano, auto condenação e possivelmente vem a sensação de alivio (segredos/erros não confessados pesam). Pra fechar; a oração é a forma de pedir perdão a Deus e ao próximo por nossos erros e seguir em frente mais consciente do mal que causamos aos outros e a si próprio.
A Palavra cura.
A Palavra liberta.

"Confessai os vossos pecados uns aos outros, e orai uns pelos outros para serdes curados."

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Não houve reparação



Você me bloqueou
Me deletou da sua vida
Eu não sei como conseguiu
E todos aqueles discursos sobre as relações líquidas?
"Suas ideias não correspondem aos fatos"

Fui descartada
Nunca vou compreender
Éramos irmãs
Como amigas de infância
Como pôde me desprezar?
Como pôde me excluir?!
Foi difícil aceitar
Doeu
Não houve reparação

Agora estou conformada
Mais leve
Sem o peso da mágoa
E da rejeição
Sei que marquei sua vida
E se lembrará de mim
Tínhamos uma história a ser construída
Mas não houve reparação.

Você foi embora
Antes do recomeço
Você se lembrará de mim
Quando pensar em como conheceu a "selva de pedra"
Quando visitar o Parque
Quando andar pela Paulista
Você se lembrará de mim...
Todas as vezes que ouvir/ver algo sobre "Os Miseráveis"
E quando visitar os lugares que eu te mostrei

O tamanho da decepção, da frustração e da dor é proporcional ao investimento emocional.

Você se lembrará de mim
E eu...
Eu não quero mais me lembrar de você.