segunda-feira, 25 de novembro de 2013

“Por que os justos sofrem e os ímpios prosperam?”




Uma questão de longa data, há milênios o homem faz essa pergunta e não sou eu quem irá respondê-la. Muitos livros foram escritos com base nessa questão, além de inúmeras pregações, textos, palestras, convenções etc. Quando me pego pensando nisso ou quando vejo alguém com essa questão, meu foco é o conceito de duas palavras. O que significa sofrer e o que significa prosperar? No decorrer da minha não tão curta, nem tão longa vida, os conceitos tiveram mudanças. Durante muito tempo acreditei que o conceito de prosperidade estava ligado aos bens materiais e sucesso profissional, hoje já não penso assim. Sofrimento pra mim sempre foi algo desprovido de sentido, nunca entendi bem as dores do mundo, e as minhas... Ah como demorei para começar a entender! No entanto descobri que o sofrimento tem duas categorias, aquele que não sabemos o motivo e aquele que tem uma razão de existir. Quando sabemos o motivo da dor e ainda quando desejamos o resultado dessa dor, então o sofrimento é suportável em certo sentido. Deixo um exemplo simples, a dor do parto: uma grande dor, porém com imenso beneficio, o filho.
O conceito de prosperidade interfere muito na modo como lido com o sofrimento. Prosperidade pra mim significa crescer, desenvolver-se, melhorar de condição, ser bem sucedido; então algo que pode ser um sofrimento também pode significar prosperidade, e essa prosperidade nem sempre está ligada ao capital, pode ser uma prosperidade espiritual, relacional, emocional, entre outras. Se acredito que o fruto da dor pode ser um bem, então me considero próspera. Dar significado ao sofrimento é converter a dor em beneficio, não só para si mesmo, mas também aos outros. Mesmo quando não sei as razões do sofrimento, posso usá-lo de forma positiva posteriormente, na minha vida e na vida de outras pessoas.
Enquanto meu foco estava no conceito das duas outras palavras: justo e ímpio, a questão me atormentava. Quem  é realmente justo?  Sem contar que eu caía no equívoco da meritocracia.
Ainda sem saber ao certo a resposta, focar no conceito de sofrimento e prosperidade me ajudou a parar de etiquetar as pessoas em justas e ímpias e também deixar de achar que “a grama do vizinho é mais verde”. Passei a olhar para o que me acontece, tanto exteriormente quanto interiormente.
Então mudo a questão: “Por que eu sofro ou porque eu prospero?” Isso me leva a um exame de consciência, e esse exame me leva a conclusão de que o sofrimento  humaniza e ensina-me a ser solidária e misericordiosa na prosperidade.
Porque creio que dor e alegria, sofrimento e prosperidade são compassos diferentes da mesma música.

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