segunda-feira, 10 de junho de 2013

A Palavra e a palavra


                                    






                           O poeta me disse que lutar com palavras é em vão

                            Entretanto minha luta se faz com as letras

                            A Palavra é meu escudo

                            A palavra é minha espada

                            Lutar com a palavra, sim.

                            Contrario o poeta porque

                            A Palavra é minha fortaleza

                            A palavra é o mundo em ação

                            Por meio da palavra o mundo se fez

                            Pela Palavra novas vidas são geradas

                            Pela Palavra meu coração se transformou

                            Por causa da Palavra eu renasci

                            A palavra é o hiato entre Deus e o mundo

                            Não existe vida fora da Palavra

A espera

                                                       
     Vrum Vrum

Vivo assim

No corre-corre dos dias

A ampulheta na garganta

Horas enlatadas

Emoções entaladas

Tic Tac Tic Tac

Querendo ser

Querendo estar

Desejando...

Ai ai...

...Consolidar o inacabado.

Com tantos recomeços

Eu perco o chão

Eu não sei parar de sonhar

Eu vou sempre te esperar

Quando é que você vai chegar?

sábado, 8 de junho de 2013

O extremismo nosso de cada dia



          Fanatismo ideológico é o estado psicológico que caracteriza qualquer pessoa como idiota. O Fanático é irracional, persistente e teimoso. Sua natureza irregular, baseada em emoções desenfreadas, leva a preconceitos e violência com quem discorda de seus valores e crenças. Podemos pensar que isso acontece só na religião, mas é algo inexplicável ver marmanjos brigando por causa de futebol (quem ganha milhões são os jogadores não você que o defende) ou pessoas “estudadas” proferindo anedotas ridículas sem a menor graça sobre um posicionamento contrário ao seu, sem contar as notícias sobre as decisões do governo em que os idiotas fanáticos defendem ou acusam com unhas e dentes sem avaliar todos os lados da questão e todas as pessoas envolvidas.

            Mal uma notícia é veiculada e o fanático já se posiciona, usando de “dois pesos e duas medidas”, num dia idolatra e no dia seguinte repudia. Como crianças que num dia “está de mal” e no minuto seguinte “está de bem”.

            É saudável expor nossas opiniões, mas devem ser feitas com responsabilidade, assumindo as consequências do que se diz, e o mais importante sem carregar nas tintas da agressividade e da revolta, afinal amanhã aquele/aquilo em que se joga pedra poderá ser quem/o que merece nossas flores.

          Cansada de ver publicações e comentários dos revoltadinhos.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

As Letras transformam, a Palavra liberta

Foi o desejo por conhecimento que me afastou de Deus e esse mesmo desejo me aproximou Dele novamente, ironia.
Quando era pequena eu frequentei a igreja católica, fiz catecismo, crisma e comecei a participar do grupo de jovens da paróquia local. Aprendi muito, mas era um conhecimento que na adolescência já não era suficiente para minhas dúvidas, conforme ia crescendo minhas dúvidas cresciam ainda mais, questionava tudo, e queria resposta pra tudo, como se isso fosse possível, hoje eu sei. Tornei-me rebelde, ficava insatisfeita com as respostas do padre, as explicações dele nunca eram suficientes, saí da igreja católica. Começou a derrocada, eu tinha aproximadamente 14 anos e a partir de então, minha rebeldia e minha fome de conhecimento só aumentaram. Fiz todas as perguntas que os ateus e agnósticos fazem, e são sempre as mesmas, as clássicas:

Se existe Deus porque há pobreza?
Porque coisas ruins acontecem à pessoas boas?
Se Deus é tão poderoso como dizem, porque não muda a humanidade?
Onde está Deus, que não o vejo? Onde está Deus na guerra, em um genocídio, em um estupro?
Onde estava Deus enquanto eu sofria?
“Deus não quer o mal, mas não pode? Então não é onipotente. Tem poder, mas não quer? Então não é bom. Tem poder e quer ? Então por que o mal existe? Se não pode e nem quer, então por que lhe chamamos Deus?” Epicuro (filósofo da Antiguidade)


São velhas e inquietantes questões, conheço as bem, pois elas me acompanharam por um bom tempo. Como sempre gostei muito de ler, comecei a devorar livros de filosofia, espiritualista e de religião, buscando saciar minha sede de conhecimento. Muitas dessas questões foram respondidas e outras ainda não, mas isso não tem mais importância, sei o que preciso saber, sei que Deus me dará maior conhecimento quando for necessário e sei também que nunca saberei tudo, pelo menos enquanto eu estiver nesse corpo corruptível, mas no dia em que O verei face a face, tudo será claro e transparente.
"Porque agora vemos como por espelho, em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei plenamente, como também sou plenamente conhecido. "
(1 Coríntios 13:12)

Essas questões não respondidas me levaram a um estado de inconformidade com o mundo, com a minha vida e principalmente com Deus, comecei a duvidar Dele, o ateísmo parecia a única resposta plausível. Mesmo sem ter uma noção exata das minhas tragédias, elas me consumiam. E nada respondia minhas crises existenciais, nada aplacava uma dor que eu insistia em emudecer. Tentava calar os anos de sangramento com diversão e paixões frívolas. Não percebia que quanto mais tentava escapar, mais presa eu ficava no sistema “capetalista”, tinha caído no buraco, no abismo que é a vida sem Deus.
Uma garota inconsequente, sem grandes planos para o futuro, vivia o lema “deixa a vida me levar”. Estava anestesiada pela falta de esperanças numa vida melhor. Essa desesperança me fez crer que meus sonhos não eram possíveis, e pensava: já que não posso realizar meus sonhos, vou viver intensamente, vou viver tudo o que se tem pra viver. Uma vida social ativa dava a sensação temporária de buraco preenchido, mas como diz  o russo:

 "Existe no homem um vazio do tamanho de Deus."    (Fiodor Dostoiévski)



Filipe 121

Desejo voltar para Casa
Não caibo na família
Não caibo na igreja
não me enquadro entre os libertários
nem me encaixo no tradicionalismo
entre o fundamentalismo e a heresia está o filho da Graça.


Não entro nessa caixa chamada Mundo
não sou do contra, nem faço vitimismo
sem murmurações, nem autopiedade
sou apenas uma forasteira.

O tempo crava suas garras
e como numa contradição paulina, eu protesto
quero continuar adubar o terreno, jogar as sementes
quero atravessar o portal
dilema infindável
o morrer é lucro
e o viver é cumprir a missão.

A travessia tem hora marcada
os subterrâneos do meu ser anseia pela sublime Conexão
quero me encontrar
não me enxergo no espelho desse mundo
vivo numa gaiola aberta.


quarta-feira, 5 de junho de 2013

O espinho na carne





          Estava refletindo nas cartas paulinas esses dias, principalmente em dois trechos: o espinho na carne que Paulo tinha (2 Coríntios 12:7) e o morrer é lucro e viver é Cristo (Filipenses 1:21).

     Fiz uma correlação entre esses dois trechos. Pensando no que ouvi de um pastor essa semana, cuja filha é especial, imaginei que seria o espinho na carne da vida dele, uma responsabilidade maior em relação aos outros filhos e uma situação que produz preocupações, angústias quanto ao futuro da garota e o exercício da fé que essa responsabilidade traz. Tenho pra mim que cada um de nós tem seu espinho na carne, alguns já descobriram exatamente qual é e outros ainda estão perdidos em suas crises, sem saber qual das tribulações fará parte da sua vida como companheira constante e quais delas serão passageiras.

     Como eu pensei nas duas passagens em sequencia, considerei  que o espinho na carne tem uma relação forte com Filipenses 1:21, já que o viver é Cristo e nossa maior missão como cristãos é honrar seu Nome e propagar as boas Novas, talvez o espinho da carne de cada um seja de uma forma geral para viver e pregar o Cristo ressurreto.

     Há algum tempo me veio a revelação de que devo usar minha experiência de vida para falar de Jesus, percebi que minhas dores estão diretamente ligadas a minha missão como cristã.

Se o viver é Cristo, o espinho na carne é a forma que Deus faz para que nosso coração não se desvie do Caminho pela pretensa soberba espiritual que o crente possa vir a ter, o espinho na carne  nos lembra que somos dependentes do Senhor para tudo, e a cada dia lutando as batalhas da vida com mais esse incômodo (o espinho) nos faz mais conscientes de que nossa vida é Dele e o viver só pode ser Dele também. O espinho na carne nos coloca mais perto daqueles que precisam de amor, misericórdia e da Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo.

    O espinho na carne nos diz que o viver é legitimamente de Cristo, pois o morrer só é lucro quando pensamos no mundo caótico que vivemos, mas quando pensamos na causa de Cristo, para que estamos aqui, o viver é que é lucro.

    Não fosse o espinho na carne para nos lembrar do valor da vida e da morte tendo como parâmetro o Evangelho, estaríamos perdidos entre a vida e a morte com nossos espinhos.

    Tendo em vista isso meu desejo é que nossos espinhos não nos sufoquem, não sufoquem nossas esperanças, mas reforcem nosso propósito de vida.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Amigos invisíveis


        



         Amigos imaginários, você já teve? Ah, vai, confessa.... eu sei que sim, pode falar, aliás atire a primeira pedra quem nunca teve amiguinho invisível na primeira infância.
         Pois é, este texto é para falar dos nossos primeiros amigos, os imaginários.
         Eu tive, na infância eram os coleguinhas que brincavam comigo quando não tinha nenhum adulto por perto, e também tinha aqueles que me faziam companhia à noite enquanto o sono não chegava, eles ficavam conversando comigo até eu conseguir dormir, às vezes eram representados por algum brinquedo, uma boneca talvez.
         Conforme crescia, conhecia outras crianças e deixava meus amiguinhos imaginários de lado, quando entrei na pré-escola então, coitados, ficaram bem esquecidos!
         Os amigos imaginários eram também invisíveis. E apesar dos adultos considerarem apenas imaginação, esses amiguinhos eram reais na minha vida, eles interagiam comigo e creio que foi importante para a minha futura vida social, pois com esses amigos eu brincava, brigava, fazia as pazes, era um ensaio para a pré-escola.
         Durante muito tempo da vida adulta, considerei que esses amiguinhos tinham ficado completamente no passado. E também sempre achei que fosse algo exclusivo das crianças.
         Andei me enganando, novidade!!
         Os amigos invisíveis e reais são tão comuns na minha vida de adulta como eram na infância, o que mudou foi a interação, o modo como eu me relaciono com eles.
         Hoje, esses amigos ganharam outro status, receberam uma promoção e agora são chamados de escritores.
         Isso mesmo, os escritores são meus amigos, não são imaginários, mas invisíveis. Eles são tão reais quanto os da infância. Apesar de não ter matéria, carne e osso na minha frente, eles existem mesmo.
         Eles se materializam por meio dos seus textos, das suas palavras, das mensagens que deixam na minha vida.
         Muitos deles só existem no plano do invisível porque já faleceram, outros estão distante de mim geograficamente e por isso nosso contato é mediado por suas obras.
         Outro dia li uma publicação na rede social que dizia que todo leitor se sente amigo do escritor, é verdade. Afinal a leitura é uma via de mão dupla, o escritor nos fala por meio da sua obra e o leitor responde interagindo com a leitura que faz.
         Uma leitura nunca é neutra, o leitor responde ao que lê, positiva ou negativamente.
         E ai de quem me disser que Pessoa, Bandeira e Drummond não são meus amigos, são sim!  Foram eles que encheram minha vida de beleza com suas poesias.
         Foi Davi com seus Salmos que me sustentou em muitos momentos de angústia.
         Foi Chico Buarque que me disse que a gramática é amiga da literatura.
         Foi Renato Russo que me disse que a poesia é irmã da música.
         Foi Machado quem me mostrou que a palavra bem manejada é uma arte. E qualquer um que lê Machado sabe o quanto ela dialoga com o leitor. Então não venha me dizer que amigo invisível é coisa de criança, e se for mesmo, quero ser sempre criança, para continuar com essas amizades tão preciosas.
         E foi na vida adulta que eu conheci meu melhor amigo invisível, mas isso é assunto para outro texto.

domingo, 12 de maio de 2013

Sobre a banalização do mal


Será que palavras ofensivas, deboches e condutas que oprimem a ideologia alheia podem ser consideradas liberdade de expressão? Qual seria o limite entre liberdade de expressão e discurso de ódio?
Oprimir o sujeito em seu direito de opinião só mostra que a morte da ditadura é uma ilusão; que o atual contexto em que vivemos, onde uma pessoa ou grupo de pessoas é ridicularizado por suas convicções, nos coloca diante da violência no seu mais sofisticado disfarce: a intelectualidade.

Infelizmente esse termo foi contaminado. O intelectual deveria ser a pessoa que usa o intelecto (inteligência, raciocínio) para refletir, discernir e usar essa capacidade para coisas relevantes na sociedade, a intelectualidade deveria estar a serviço do bem social. Mas o que vemos hoje é um bando de moleques (independente da idade), moleques sim, porque não amadureceram; lêem meia dúzia de livros e “se acham”.
Alguns se acham homens só porque possui carteira de habilitação, outros se acham maduros só porque tem filhos com mais de 1,60 m de altura. Na verdade não passam de inquisidores modernos, sempre a procura da vírgula que justifique a fogueira. Cheios de falácias e sofismas, doutrinados a queimar qualquer um que se oponha aos seus argumentos.

A fogueira moderna tem várias facetas; ora vem em forma de escárnio, ora em forma de atitude revolucionária.
O fulano veste o uniforme de indignado usando palavras politizadas, se achando no direito de praticar a violência intelectual, no melhor estilo: “eu entendo do assunto”.

Como disse uma amiga essa semana, algumas ofensas parecem pequenas, aparecem em forma de brincadeiras e por vezes passam despercebidas. Se deixarmos essas posturas livres e soltas estaremos regando a banalização do mal.
Aí o sujeito fala: era só brincadeira, sem maldade! E quando nos damos conta, estamos amordaçados, seqüestrados em nossa subjetividade, roubados em nosso direito de ser e estar no mundo.

Não, meu caro, você não pode zombar dos outros.
Não. Você não pode sair por aí ofendendo daquilo que discorda.
Não. Você não pode oprimir os outros com sua “intelectualidade”.

A menos que você queira conscientemente contribuir para o mal e sua crescente banalização. 

“Tempo, quero viver mais duzentos anos. Quero não ferir meu semelhante, nem por isso quero me ferir. Vamos precisar de todo mundo prá banir do mundo a opressão. Para construir a vida nova, vamos precisar de muito amor.” (Beto Guedes)

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Diário de uma (ex) Motociclista





  Hoje eu comprei minha moto. 

Uh Uh! Agora serei Fera Radical.
Uma semana depois: tem que trocar o óleo, isso não era só pra carro?
Andando e aprendendo. 
Um mês depois: tive minha primeira queda, acho que foi por falta de experiência. 
Andando e aprendendo. 
Três meses depois: minha primeira batida, quer dizer, só encostei no carro da frente.
 Andando e aprendendo. 
Cinco meses: estou aprendendo a ser piloto. 
Andando e aprendendo.
 Um ano: caí de novo, desta vez machucou. 
Andando e aprendendo. 
Um ano e meio: bati de frente com outra moto, a culpa não foi minha. 
Pilotando e aprendendo. 
Dois anos: fui viajar de moto, teria sido bom, se eu não tivesse me acidentado. 
Pilotando e caindo. 
Acho que já sou Fera Radical. 
Só Pilotando. 
Três anos: bati, voei, fui quebrada. 
Deixei de ser piloto. 
Não sou mais Fera Radical.
 Só Aprendendo.

P.S: Esta é uma obra de ficção, porém baseada em fatos reais.