sexta-feira, 7 de outubro de 2016

O arisco e a sensível



Vi essa imagem rolando por aí esses dias e vi diversas interpretações.
“Dormindo com o inimigo”
“Jugo desigual”
“O pecado e o Homem”
Além dessas, vi outra mensagem nessa imagem.
“O arisco e a sensível”
O arisco é aquele que se comporta de modo arredio ou esquivo, que foge ao convívio social, indivíduo que se afasta quando começa a intimidade, tem um gênio complicado de se lidar, intratável.
Sensível é a pessoa emocional, que se deixa comover com facilidade, empática; que tende a compartilhar do sofrimento alheio, solidária; que expressa compreensão e solidariedade, que é afetada com facilidade por atitudes alheias.
Parece óbvio que o primeiro sempre fere o segundo, eu já vi esse tipo de relacionamento. E não é necessariamente uma relação romântica, pode ser entre amigos, parentes, colegas de trabalho etc.
Não é que o arisco não tenha sentimentos, mas é que existe uma casca espinhosa cobrindo-os.
A pessoa sensível não é tão virtuosa como parece, falta-lhe maturidade emocional para não se deixar ser atingida pelos espinhos do arisco. A maturidade emocional lhe permite distinguir o que é seu e o que é do outro e não pegar para si o que não lhe pertence; isto é, os espinhos não são meus e muito menos responsabilidade minha.
Cada um com suas características!
E ao contrário do que li, creio que esse tipo de relacionamento pode ser benéfico para ambos.
Se os dois enxergam suas limitações é possível que cada um amadureça com a relação, não é preciso romper ou se afastar.
Creio que uma relação como essa, em longo prazo, possa fazer que o arisco seja menos arisco e que o sensível se fortaleça emocionalmente.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

A fêmea e a mulher virtuosa



Vivemos a era da descartabilidade, das relações fugazes. Vivemos dias tão fúteis em que se pode “fisgar” alguém apenas pela configuração exterior.
Tanto homens quanto mulheres usam estratégias que enaltecem sua aparência para atrair parceiros. São selfies com bico de pato (mulheres) ou na frente do espelho da academia (homens) que infestam as redes sociais. Vou concentrar esse texto no sexo feminino.
A frivolidade das mulheres é espantosa! Desculpe-me amigas, mas sou rodeada por banalidades femininas.
Não quero cair naquele no velho clichê de “o que importa é a beleza interior”, não é isso. A questão é que vejo poucas mulheres se dedicaram ao crescimento emocional, espiritual e intelectual da mesma forma que se dedicam aos outros assuntos (cabelos, maquiagem, sapatos, baladas, homens etc). Acredito que uma mulher deveria ter interesse em desenvolver-se em diversas áreas. Às vezes tenho dúvidas se sou mesmo mulher, pois sinto enfado quando os assuntos tipicamente femininos se estendem em demasia.
Há um tipo específico que me chama a atenção, é a sedutora, a Dalila, a “femme fatale”.
Confesso que já tive vontade de ser essa figura, aquela que é capaz de deixar um homem aos seus pés num piscar de olhos. Aquela que todos viram o pescoço quando “desfila”, ela recebe mil curtidas e inúmeros comentários masculinos do tipo “gata” ou “linda” em suas fotos.
Tenho observado inúmeras dessas fêmeas nas redes sociais, e meu Deus! Melhor nem comentar o que vejo, é deprimente o que fazem para chamar a atenção.
Com o passar dos anos desisti de ser apenas uma fêmea, descobri que é fácil ser uma mulher fatal. Maquiagem, roupas provocantes, salto alto, alguns itens que colaboram para ser sensual e despertar o desejo masculino e a inveja das mulheres. O prazer da sedução casual e descompromissada é efêmero. E cá entre nós, aquele que se deixa enlaçar por um decote não é digno de ser chamado homem. Como confiar em quem é dominado por tão pouco?!
A fêmea, que se deixa levar por seus instintos, também entra numa espiral contínua de concupiscência e sem se dar conta que faz de seu corpo uma praça pública.
Ah, mas eu quero mais, muito mais! Quero ser mulher de verdade e não apenas uma fêmea. Quero ser uma mulher virtuosa, isto é, cheia de virtudes. Ainda não sou quem eu gostaria de ser, mas estou buscando uma beleza além do espelho, quero ser atraente de outra maneira.
Não afirmo que devemos ser negligentes com a aparência, no entanto busco ter virtudes que serão reconhecidas em longo prazo, que serão admiradas mesmo quando estiver cheia de rugas e com os cabelos todos brancos, uma mulher virtuosa investe na beleza atemporal.
Uma mulher virtuosa é reconhecida mesmo quando estiver impossibilitada de desfilar seus atributos físicos.
A fêmea pode até deixar um homem louco, mas a mulher virtuosa ganha sua admiração por muito tempo.
Uma mulher virtuosa tem fibra, um caráter lapidado, é leal, tem um coração generoso, é prudente, possui um jeito esperançoso de enxergar a vida apesar das suas mazelas. São essas virtudes que marcam especialmente nossa passagem por essa vida. Uma mulher virtuosa causa um impacto duradouro na vida das pessoas que a cercam, deixa uma marca indelével naqueles que a conheceram.

Tenho como prioridade preparar meu coração para o Senhor, ser bela aos olhos Dele.

domingo, 21 de agosto de 2016

Gratidão






Gratidão não é apenas dizer obrigado quando recebe um presente de aniversário ou casamento.
Gratidão não é um gesto de educação quando alguém lhe faz algo do qual não tinha o dever.
Gratidão é reconhecer toda a boa dádiva da vida, mesmo que essa dádiva por vezes esteja quase irreconhecível em circunstâncias dolorosas.
Muitas vezes deixamos de perceber os presentes de nossas vidas porque só prestamos atenção ao que nos falta.
O adolescente rebelde que dispara: eu não pedi pra nascer.
O universitário que declara ao professor: é sua obrigação me orientar bem para fazer o trabalho.
O chefe que diz para sua secretária: sou eu quem paga seu salário por isso você tem que fazer o que eu mando.
E aquele famoso bordão televisivo: Tô paganndooo!
Esse eu já ouvi muitas e muitas vezes de clientes cheios de razão. Quem trabalha em atendimento ao cliente conhece bem esse tipo de arrogância.
A gratidão não só pelas grandes conquistas da vida, mas a gratidão do dia a dia reflete um coração que reconhece sua vulnerabilidade perante as circunstâncias da vida.
“O que não tem controle, nem nunca terá...”
A pretensa ambição de controlar o incontrolável nos faz magoar as pessoas, mexer em feridas mal curadas e atropelar situações que poderiam gerar um grande bem se não fosse pela falta de amabilidade e gratidão.
A falta de gratidão gera um comportamento ríspido, uma ansiedade de querer tudo “à moda da casa”, a frustração nos cega em relação ao que já temos e as oportunidades futuras.

Agradeça não só as situações boas, porque muitas coisas boas também podem surgir de situações ruins. Mas isso só é percebido por um coração grato, pois o ingrato nem mesmo reconhece as coisas boas.

Traumas e Fantasmas



Traumas rondam nossas vidas como fantasmas.
Os traumas que não estamos prontos a enfrentar continuam-nos a assombrar com ainda mais força. Devemos, portanto aceitar este paradoxo: a verdadeira superação de um acontecimento deve começar pela sua rememoração.  
Como dizia uma amiga, vamos gastar o assunto: pensar, falar, sentir...sobre o que nos aconteceu, que um dia ele acaba. Insistir para que seja absorvido e deixe de existir, não como fato, mas como fantasma.
Porque superar não é esquecer, mas não permitir que o passado nos domine.

Máscaras



Normalmente usamos o termo máscara quando queremos falar de falsidade.  Falsidade é a característica do que não é verdadeiro. Quase todo mundo concorda que uma pessoa falsa tem um desvio de caráter, ocultar a verdade para levar vantagens, ganhar status, desmoralizar pessoas, entre outros.
Além da falsidade, há também a dissimulação. Existe uma diferença entre ser falso e ser dissimulado. Dissimulação é o ato de esconder os próprios sentimentos, intenções, tornar invisível ou pouco perceptível; ocultar, disfarçar. Falamos que alguém usa máscara tanto para um conceito quanto para o outro. Ser falso ou dissimulado é usar máscara. Infelizmente em nossa sociedade nos vemos pressionados a usar máscaras, em nome da boa educação, do convívio social, dissimulamos/ocultamos nossos reais sentimentos e pensamentos. Imagina como seria uma pessoa que verbalizasse tudo o que pensa e sente?

 A questão não é quem usa ou não usa máscara, todos nós usamos máscaras para viver em sociedade, não é possível ser verdadeiro/demonstrar tudo o tempo todo (alguém discorda?). 
A questão que eu quero deixar é: em que circunstâncias você tira sua máscara? Quais são os momentos que você se revela? Revelar é tirar o véu, deixar ver, mostrar, descobrir, fazer conhecer. E ainda, e mais importante: para quais pessoas você se revela? Para quem você tira a máscara?

Apagar pessoas


Muito já se falou sobre os relacionamentos líquidos e a descartabilidade das pessoas, no entanto, há um fenômeno nas relações pessoais que difere um pouco dessa teoria.
Vejo no dia a dia algo que parece uma tendência sem retorno.

Uma convivência confusa entre as pessoas, desordenada, ninguém sabe mais o papel que ocupa na vida do outro, ninguém mais dá garantias de nada. Hoje sou seu amigo, amanhã não sou mais e depois talvez eu queira me relacionar contigo, sei lá.
Deixo no ar, deixo você na sala de espera, no banco de reservas, como uma peça coringa a ser utilizada na hora certa. E para mim você não é especial, é mais um entre tantos outros relacionamentos que tenho, sem distinção alguma.
No momento adequado eu o coloco como personagem do meu roteiro. Enquanto não há um papel para participar da minha novela (vida) vou deixando o possível personagem guardadinho na caixa junto aos outros. Não, eu não descarto, esse é o X da questão. Não há descartabilidade, há o descaso puro e simples.
Como acontece esse descaso? Uma ligação não retornada, uma visualização sem resposta, meses sem se comunicar. São tantas as atitudes e falta delas que demonstram que estamos apagando um personagem de nossa história. Minha dúvida de sempre: é proposital ou não?
Tenho um querido amigo que assume que é relapso, ele esquece as pessoas de diversas formas, já aprendi que o jeito dele é assim mesmo, mas e os outros? E quanto a mim? Oh, eu também faço isso!!! Quantas vezes eu deixei que um personagem da minha história se apagasse aos poucos até desaparecer?
De deslize em deslize os sentimentos mudam, a consideração diminui.
E de tanto deixar os relacionamentos na “sala de espera” as pessoas vão sendo apagadas da nossa vida.
Que eu possa recuperar àqueles que por negligência apaguei e que eu seja compreensiva com aqueles que ainda não perceberam que fazem isso comigo.



quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Gemidos inexprimíveis


As cenas ainda permanecem em minha cabeça...Junho de 2010. Saí de casa por volta das 6:30 h da manhã como de costume para trabalhar, meu trajeto incluía uma rodovia. Andava no corredor como todos os motociclistas, um carro saiu repentinamente de sua faixa para entrar na outra, não dava tempo de frear, tentei desviar, bati no veículo seguinte. Literalmente voei, fui jogada alguns metros adiante, o capacete saiu da minha cabeça, caí de costas no asfalto.Estava no chão, literalmente quebrada, a reação automática foi tentar levantar, mas eu não conseguia me mexer. Um monte de pessoas falando comigo ao mesmo tempo, parecia que eu estava fora de mim. 
Poucos minutos depois o resgate chega, era o carro dos bombeiros, quando eles me pegaram para me colocar na maca, a dor foi tão intensa que nem consigo descrever, não conseguia falar, só dor, só gritos.Chegando ao hospital, apaguei. Acordei oito horas mais tarde, na sala de cirurgia, olhei para o meu corpo e levei um susto, havia sido aberta e costurada. Entrei em estado de choque.A partir desse momento as lembranças se embaralham bastante, a noção de tempo numa situação como essa é completamente diferente do tempo da vida normal. Um dia no hospital imobilizada, olhando para o teto equivale há muito mais que 24 horas, eu sentia muita dor o tempo todo.
Minha situação de saúde era a seguinte: estava com a bacia quebrada em dois pontos diferentes, uma lesão na coluna entre a lombar e a medular, um edema cerebral, diversas escoriações pelo corpo e o rosto todo machucado, inchado e roxo da pancada. A bacia quebrada parecia ser o que exigia mais cuidado, a lesão na coluna preocupava muito porque não se sabia exatamente qual era o ponto da lesão, se fosse só na lombar tudo bem, mas se a lesão também tivesse atingido a medula tinha certa probabilidade de paralisar os movimentos dos membros inferiores, em outras palavras, corria o risco de ficar paraplégica.
O edema cerebral era por causa da batida, que graças ao capacete não aconteceu nada mais grave, aliás, foi um milagre não sofrer danos sérios no cérebro (será mesmo?!). Porém esse edema cerebral me deixava com dores muito fortes na cabeça, não conseguia pensar. E o rosto? Bem, meu rosto estava desfigurado, o inchaço fez com que meus olhos sumissem, no lugar havia duas enormes “beterrabas”, nem dava para ver meus olhos, mas estava enxergando ainda, estar hoje com o rosto perfeito é mais um milagre na minha vida.A bacia quebrada não me deixava mexer, afinal a bacia é o elo entre o tronco e os membros inferiores, então só mexia os olhos. 
A dor se tornou parte de mim, 24 horas por dia, até mesmo respirar doía. A dor era tão grande que não tinha forças para gritar ou chorar, conheci a expressão bíblica “gemidos inexprimíveis”.

“Da mesma forma o Espírito nos ajuda em nossa fraqueza, pois não sabemos como orar, mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. E aquele que sonda os corações conhece a intenção do Espírito, porque o Espírito intercede pelos santos de acordo com a vontade de Deus. Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito.”(Romanos 8. 26-28).


 Não dormi alguns dias, por mais que tentasse e quisesse, como adormecer com tanta dor?


“Ai de mim! [...] Estou exausto de tanto gemer, e não encontro descanso”. (Jeremias 45:3)


Pedia para as enfermeiras darem remédios pra passar a dor, eu já estava medicada era a resposta, mas porque a dor não passava? Os dias foram se passando e a dor não diminuía, estava ficando louca por não dormir. Um dia consegui conversar com o médico e falar sobre o fato de não dormir por causa das fortes dores. O médico me disse que a dor de cabeça era por causa do edema cerebral, uma espécie de inchaço no cérebro, e que esse inchaço diminuiria com o passar do tempo até sumir completamente, e que nesse caso remédio não faria efeito, o negócio era ter paciência e esperar passar, ele não poderia me dar remédio para dormir porque estava ainda em observação, estavam estudando meu caso e remédio para dormir não ajudaria o meu estado clínico. Que ótimo! 

Dormir era tudo o que eu mais queria, significava não sentir dor e por alguns momentos esquecer o que estava acontecendo, mas para meu desespero tive que ficar dias sentindo dor ininterruptamente. 
Não pensava sobre o acidente em si, ou sobre as consequências dele, eu realmente não tinha condições de pensar, estava tomada pelo desespero do sono e da dor.
Com os gemidos inexprimíveis aprendi que a vida é demasiadamente fugaz.
Que a cura, tanto física quanto emocional, é uma necessidade humana universal.
Que não tenho o controle de absolutamente nada nessa vida.
E que é humanizador enxergar a vida através das lentes do sofrimento.
Por fim, entendi que quando não podemos mais falar, quando a nossa dor é tão grande aponto de não conseguirmos expressá-la, Deus nos ouve.
Conforta-me saber que nas horas em que não temos como articular um pensamento, uma frase ou um grito, naqueles momentos em que não sabemos expressar nossas angustias, só Ele para ouvir nossos gemidos inexprimíveis.
Que podemos confiar na promessa da ação do Espírito Santo em nossas vidas, Ele nos assiste, nos protege em nossas fraquezas, intercedendo por nós.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Salva de mim mesmo


"Jesus salva" é uma das frases mais clichês dos cristãos. Lembro-me de certa vez alguém falou que Jesus morreu por mim, para me salvar. Então como agnóstica e com um humor duvidoso, respondi: “Como ele morreu por mim se naquela época eu nem era nascida e não o conhecia?” (viu como conheço as piadinhas que rolam por aí? Rsss).
Obviamente eu nada entendia de salvação, ressurreição, eternidade, bem... na verdade não entendia nada de Cristianismo (mas achava que sabia ) conhecia Cristo “só de ouvir falar”.
Quando conheci de fato o Senhor Jesus, compreendi de forma genuína as frases que tanto ouvia dos evangélicos.
 E uma que fez muito sentido logo de início e em toda minha caminhada cristã foi  “Jesus salva”.
Minhas questões eram: Jesus salva do quê, de quem? Como assim?
Sem entrar no campo teológico-acadêmico, assim que O conheci pessoalmente, entendi em questão de segundos a razão de estar viva (tendo flertado com a morte diversas vezes). Entendi o motivo da minha existência e o significado de “salvação” do Cristianismo.
Como disse, deixando de lado a teologia acadêmica, Cristo me salvou de todas as formas que alguém pode ser salvo; fisicamente (biologicamente), psicologicamente, emocionalmente e espiritualmente.
Destrinchar o que tudo isso significa levaria muito tempo, talvez faça isso um dia, não agora.
Por hora, poderia resumir da seguinte maneira: Jesus me salvou de mim. Salvou-me de seguir meus planos, seguir meu coração, minha ideologia, meus propósitos. Ele me deu um novo coração e com ele veio novos planos, novos propósitos, nova visão de mundo, novos princípios. Ganhei uma nova vida, infinitamente “mais melhor” que a anterior. Mas como poderia saber o que me aguardava?
O problema é que antes de ganhar essa nova vida, eu não fazia ideia, nem imaginava que existia, ignorava completamente esse outro jeito de viver. Como falar do arco íris para um cego? Por mais que amigos cristãos tentassem me dizer o quanto Jesus era maravilhoso, não conseguia vislumbrar nem a mínima porção do que é viver em Cristo. Não tenho uma vida perfeita, estou bem longe disso, mas viver com Cristo é incomparável.

E só o que posso dizer aos que não O conhecem: Busquem o SENHOR, enquanto é possível encontrá-lo. Ele diz: “Vocês me procurarão e me acharão quando me procurarem de todo o coração. Eu me deixarei ser encontrado...”.

Amor sem fim



Até que ponto amamos as pessoas? Até um ponto em que ainda correspondam às nossas expectativas? Quanto elas valem para nós? Será que a nossa amizade por alguém continua a mesma quando a pessoa decididamente não quer melhorar ( segundo os nossos padrões) ? Estamos dispostos a amar aqueles que constantemente cometem os mesmos erros?
Imagine o que teria acontecido com Pedro se Jesus tivesse se cansado dele! Estaria perdido! Pedro era imaturo, inoportuno, falava demais e pouco fazia. Dizendo-se pronto para morrer por Cristo o negou por 3 vezes! Pedro é o protótipo de amigo que nos desaponta a ponto de dizermos: chega! Mas Jesus foi além. Amou até o fim. Amou mais do que Pedro o amava e merecia e assim insistiu para que O seguisse. Após a ressurreição de Cristo, Pedro tornou se consciente do tamanho do amor de Jesus por ele; seu caráter foi amadurecido e sua vida foi transformada a tal ponto de Pedro ter sido o escolhido por Jesus para cuidar do rebanho ( Jo 21:15-17).
Não é fácil amar até o fim a quem não corresponde às nossas expectativas.
Não é fácil insistir em amar quem nos decepciona. Mas esta é a marca distintiva do cristão: amar!
Pois nós também não correspondemos às expectativas de Deus e o decepcionamos tantas vezes. Mesmo assim, sua paciência e insistência nos constrangem e nos levam a níveis mais profundos de maturidade. Por isso Ele insiste em nos amar até o fim, para que possamos amar os outros também até o fim.
Vale a pena amar as pessoas até o fim, pois é assim que Deus nos ama.

...tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim. João 13:1



quarta-feira, 27 de julho de 2016

Como você quer ser lembrado?




Todos os dias, circulam dezenas de frases de efeito e pequenas mensagens na internet, muitas delas sobre bondade e gentileza.
Muitas dessas mensagens são retransmitidas (creio) na intenção de sermos mais gentis, bondosos e essas mensagens são uma forma de cada um dizer “quero um mundo melhor”. Mas o que muitos não percebem é que esse “quero um mundo melhor” depende de ser uma pessoa melhor. Para o mundo ser menos hostil, precisamos também ser menos hostis.
No final das contas, somos repetidamente consumido pelo espírito de “o importante é ser feliz” colocando os próprios interesses acima de tudo e, também, por um certo desprezo pelos outros. Afinal, cada um com seus problemas.
Então mesmo cercados de boas intenções, acabamos fazendo uma brincadeira, um comentário metida a besta, debochando de alguém e acabamos por enterrar o tal desejo de “um mundo melhor” no lata da arrogância humana, sendo um idiota por mera vaidade e egoísmo. Claro, ainda por cima, se achando o máximo por ter tido “uma sacada” que fez meia dúzia de pessoas rirem, às custas de alguém, só pra variar né.
Mas esse humor cruel, um dia também nos atinge, um dia também somos alvos de (meias) verdades em forma de piadinhas toscas. Somos algozes num dia e vítimas em outro. E só nos lembramos de sermos gentis quando sofremos a humilhação que até ontem era feita por nós.
Só nos lembramos da necessidade de sermos mais generosos quando nos falta aquilo que recusamos dar ao outro um minuto antes.
As pessoas podem esquecer de uma série de coisas no percurso da vida, mas existem coisas que ficam gravadas para sempre, quero destacar duas em especial. Nunca se esquece das pessoas que não reconheceram nosso valor intrínseco, que nos fizeram se sentir menos do que realmente somos, e também não se esquece de quem, com amabilidade nos resgatou dessa condição e devolveu a dignidade humana.


Como você quer ser lembrado?

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Identidade na dor



O sofrimento é a escola da alma
O grito de dor me ensinou que a vida é fugaz
Que o essencial é mesmo Invisível
Que nada aqui é meu e nem a Terra é meu lugar
Que a cura é uma necessidade tanto humana quanto espiritual
Algumas dores dilaceraram meu coração
Entendi que o único modo de tratar as feridas é conhecendo minha identidade
Sabendo quem eu sou, de onde vim e para onde vou.
Apesar da vida ser uma ferida em carne viva, não durará para sempre
Conforta-me saber que as dores do mundo são temporárias
Em minha peregrinação ouço Alguém que diz:
"Eu vi as tuas lágrimas, e ouvi as tuas orações”
Enquanto o mundo continua a ferir-me, vou me lembrando de quem eu sou
Meditar no sacrifício e ressurreição é um bálsamo
Aos pés da Cruz deposito o absurdo da vida
E é lá que minha existência faz sentido
A força para suportar o Maligno vem Daquele que me ensinou a Ser.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Sepulcro Caiado


"Vocês são como sepulcros caiados: bonitos por fora, mas por dentro estão cheios de ossos e de todo tipo de imundície. vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas interiormente estais cheios de hipocrisia e de iniquidade” (Mateus 23:27-28).

 Jesus, nesse texto, acusou os religiosos de sua época de hipócritas, que encenam uma vida de santidade, mas que na verdade estão mortos espiritualmente. São bonitos por fora, mas estão cheio de ossos secos. Por fora parecem justos, mas por dentro estão cheios maldade.
 Apesar de Jesus se referir aos religiosos de sua época, creio que essa passagem é atemporal, isto é, se encaixa perfeitamente nos dias atuais, existem pessoas que parecem um sepulcro caiado, ou seja, são podres por dentro, mas com uma bela aparência, e seu interior é parecido com um túmulo fétido, mas todo decorado com flores por fora, escondendo sua verdadeira essência. Quando falo em aparência não estou dizendo só da aparência física, mas da aparência geral, pessoas que parecem boas, que vivem pregando "paz e amor", carismáticas, enfim...
A pessoa pode ser bem relacionada, ter boa saúde e beleza física, isto é, uma vida repleta de boas referências. No entanto não adianta sustentar as máscaras enquanto por dentro está sujo e fedendo. Um ser vazio de significado, achando que essa vida de mentira pode preencher seu vazio interior e dar-lhe satisfação.
Quanto autoengano! Belos por fora, mas quando seu interior é revelado mostram-se diferentes, estão mortos e cheios de toda a imundícia, por conta de mentes cauterizadas e corações secularizados. Essas pessoas não sentem mais a dor do pecado e não se incomodam em ferir seu semelhante.
Há pessoas que gostam de se declarar como “seguidor de Jesus”, parece bonito (para ficar bem na fita). Mas rejeitam sua Palavra e quando ninguém está olhando são o que são; sepulcros caiados, túmulos fétidos, são mortos com aparência de vivos.
Um sepulcro caiado que se diz cristão é ainda mais grave, por causa do falso e mau testemunho. Pessoas que mancham o nome de Cristo.
Muitos desses estão dentro das igrejas, infectando o ambiente, ferindo pessoas, tirando o crédito da fé cristã.
Sepulcros caiados fazem muito mal ao Corpo de Cristo.


quarta-feira, 29 de junho de 2016

Homem e homenino



Homem que é comprometido pode e deve ter amizade com o sexo oposto, é saudável. Mas o Homem sabe muito bem, que a sua melhor amiga deve ser sua companheira. As outras amigas devem ser vistas e tratadas como irmãs.
O homenino, independente se estar solteiro ou comprometido, vive testando seu poder de sedução com as amigas, fazendo elogios indevidos, pois quer testar seu charme e saber se elas irão se sentir atraídas por ele.
No fundo é um inseguro, pois precisa o tempo todo testar o quão sedutor ainda pode ser.
O Homem conhece seu poder de sedução, e não faz mais testes, pois já conquistou sua mulher.
Homem: tem meu respeito e admiração
homenino: tem hora que sua "sedução" cansa e a amizade esfria.

Homem assume compromisso, honra a palavra dada. O Homem sabe que confiança é algo fundamental nos relacionamentos. Sabe que a disciplina faz parte do ser adulto, e sabe combinar responsabilidade com liberdade.
O homenino é irresponsável, não cumpre seus compromissos, sua palavra não tem credibilidade. Ele fala que vai e não vai, chega atrasado, diz que se confundiu, cria desculpas esfarrapadas para tentar disfarça sua imaturidade.
Homem: tem meu respeito e admiração
homenino: me cansa!

O Homem não tem vergonha de errar, e tem arrependimento sincero quando o faz. Ele admite suas falhas e defeitos com honestidade e não tem problema algum em pedir desculpas. E o melhor, o Homem enfrenta as consequências dos seus erros, ainda que seja doloroso.
O homenino tem dificuldade em enxergar seus erros e quando enxerga é muito difícil admitir. Ele tenta manipular a situação de modo a favorecê-lo, usa a omissão ou dissimulação para fazer com que as pessoas deixem o erro passar batido. O homenino pensa que não falar sobre seus erros fará com que eles desapareçam, ou as pessoas irão esquecer. Essa atitude só faz criar mágoas/ressentimentos em seus relacionamentos.
Homem: tem meu respeito e admiração
homenino: me irrita

O homenino não tem sua masculinidade definida ainda, então ele testa sua masculinidade por meio de conquistas. Seduz o maior número possível de mulheres, brinca com seus sentimentos. O homenino faz com que suas conquistas sintam ciúmes das outras mulheres, gosta da sensação de ser disputado. Faz joguinhos; faz declaração depois fica indiferente, a sensação de controle disfarça a falta de hombridade (ele acha).
O Homem tem consciência de sua masculinidade e hombridade, não precisa de jogos e testes. Sabe o que quer, escolhe somente uma mulher para conquistar e não brinca com as outras.
Homem: tem meu respeito e admiração (são ótimos amigos)
homenino: quero distância



sábado, 18 de junho de 2016

Oração



Oração, diferente do que muita gente pensa, não é um momento para fazer pedidos e expor nossas necessidades, apesar de também fazermos isso enquanto oramos.
Oração é uma conversa com Deus, é a manutenção de nosso relacionamento com Ele. Afinal ninguém se relaciona sem se comunicar. Há muitos que ainda pensam que se orar com fé, nosso pedido será atendido fazendo uma leitura errônea de Mateus 21:22. (E, tudo o que pedirdes em oração, crendo, o recebereis).
Deus continua sendo Deus mesmo quando não atende nossos pedidos, Ele é soberano e não nos deve nada, nem mesmo uma explicação. E também Deus não é o gênio da lâmpada, um realizador de desejos. E se o pedido não for atendido não significa falta de fé, Deus tem seus propósitos e nem tudo pode ser revelado. Fé é confiar nas respostas do Senhor, seja ela sim, não ou espere.
Mas por qual motivo muitos ainda acreditam que seus pedidos devem ser atendidos?
Alguns dizem: “Mas eu pedi em nome de Jesus.” João 14:14 (Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei) Oi?!
A razão, creio, é o entendimento equivocado das Escrituras. Não é sensato fazer uma afirmação, baseado em apenas um versículo.
Vamos analisar sobre o versículo de João, que foi citado, acrescentando o versículo anterior e posterior. Deixei em negrito algumas palavras que devem ser consideradas.
“E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei. Se me amais, guardai os meus mandamentos.” João 14:13-15.
Será que agora a interpretação é a mesma? Veja que o propósito para a realização de um pedido é glorificar o Pai por meio do Filho, Jesus Cristo. Se o pedido não glorifica ao Senhor, ainda que seja feita em nome de Jesus, não há razão para tal. Aliás, todo cristão autêntico tem a consciência que tudo, absolutamente tudo, deve ser para honra e glória do Senhor.
Outra passagem bíblica que merece atenção:
“Deleite-se no Senhor, e ele atenderá aos desejos do seu coração. Entregue o seu caminho ao Senhor; confie nele, e ele agirá.” (Salmos 37:4-5).
Trecho que é usado para dizer que Deus atenderá nossos pedidos.
Como interpreto esse trecho? O Senhor somente atenderá os desejos do meu coração se eu me deleitar Nele.
Deleitar: sensação de contentamento; satisfazer-se, experimentar prazer, contentamento; regozijar-se, deliciar-se.
Quando eu me deleito no Senhor (Salmos 1 e 19) eu também me deleito em Sua lei, Seus preceitos e Sua vontade, isto significa que Ele atenderá os desejos do meu coração simplesmente porque meus desejos estão alinhados com os Dele.
Existem muitas passagens bíblicas sobre oração, esse texto não tem a intenção de explorar uma por uma. Apenas uma breve reflexão, pois ainda existe a ideia de que oração é fazer pedidos.
Oração é comunhão com o Senhor.



terça-feira, 7 de junho de 2016

A Espada e a Cruz


Ela viu a face da Morte
Ela visitou o Sheol
Ela conheceu  Hades
Ela está desesperada
Ela sorri, todos acreditam

A vida é uma chuva ácida
Sobre sua alma
Cada gota é uma fração a mais do enxofre que lhe inunda
E ela segue cantando a ‘Canção do Fim da Dor’
Rasgando lembranças, sepultando memórias
Expulsando fantasmas

Ela coleciona anjos caídos
Da gaiola eles cantam
Suas tentações prediletas
Ela pega a Espada
Ela os golpeia
Eles recuam
Ela descansa
Eles recomeçam
Cansada de lutar

Ela repousa na Cruz